Vale do Paraíba: emprego formal cresce no 2º trimestre após queda de 8,23% nos desligamentos
O mercado de trabalho formal da RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte) apresentou melhora no segundo trimestre de 2026, principalmente pela redução no número de desligamentos.
De acordo com levantamento do Nupes (Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais) da Unitau, as rescisões recuaram 8,23%, passando de 83.591 no primeiro trimestre para 76.714 entre abril e junho. No mesmo período, as admissões tiveram queda de apenas 0,40%, de 86.399 para 86.057.
Com esse movimento, o saldo regional de empregos formais subiu de 2.808 vagas no primeiro trimestre para 9.343 no segundo, uma diferença positiva de 6.535 postos.
Segundo o estudo, o resultado está relacionado principalmente à manutenção dos vínculos empregatícios e à capacidade de absorção de trabalhadores pelo mercado regional.

Primeiro semestre termina com saldo positivo
Considerando os seis primeiros meses de 2026, a RMVale acumulou 159.915 admissões e 153.589 desligamentos. O resultado foi um saldo positivo de 6.326 empregos formais.
O estoque regional chegou a 639.425 vínculos, com crescimento relativo de 1,05%.
Serviços puxam criação de vagas
Entre os setores avaliados pelo Nupes — Serviços, Indústria, Comércio, Construção Civil e Agropecuária —, o segmento de Serviços foi o principal responsável pelo saldo positivo do segundo trimestre.
Foram criadas 8.238 vagas entre abril e junho, o equivalente a 88,1% do saldo regional no período.
Apesar de as admissões terem recuado 6,35%, de 48.457 para 45.381, os desligamentos diminuíram em ritmo maior, com queda de 16,81%, passando de 44.649 para 37.143.
Comércio também melhora
O Comércio registrou crescimento nas contratações. As admissões aumentaram 14,41%, de 9.593 para 10.975, enquanto os desligamentos subiram 5,79%, de 9.380 para 9.923.
Com isso, o saldo do setor passou de 213 para 1.052 empregos entre os dois primeiros trimestres.
Construção Civil perde força
Na Construção Civil, o comportamento foi diferente. As admissões caíram 4,28%, de 6.402 para 6.128, enquanto os desligamentos avançaram 1,05%, de 6.110 para 6.174.
O setor saiu de um saldo positivo de 292 vagas no primeiro trimestre para um resultado negativo de 46 postos no segundo.
Na Agropecuária, tanto contratações quanto desligamentos aumentaram. As admissões cresceram 16,98%, de 748 para 875, mas as rescisões tiveram alta de 25,48%, passando de 785 para 985.
O saldo negativo do segmento passou de 37 para 110 vagas.
Indústria volta ao saldo positivo
A Indústria apresentou recuperação na geração de empregos. As admissões cresceram 7,07%, de 21.199 para 22.698, enquanto os desligamentos recuaram 0,79%, de 22.667 para 22.489.
O resultado foi suficiente para o setor sair de um déficit de 1.468 vagas no primeiro trimestre para um saldo positivo de 209 empregos entre abril e junho.
A Indústria respondeu por 26,4% das admissões realizadas na RMVale no segundo trimestre. Somados, Serviços e Indústria concentraram quase 80% das entradas no mercado formal regional.
São José dos Campos lidera geração de empregos
Entre os municípios da RMVale, São José dos Campos apresentou o maior saldo positivo no primeiro semestre de 2026, com 2.225 vagas criadas.
Na sequência aparecem Taubaté, com 1.853 postos; Tremembé, com 1.417; Guaratinguetá, com 725; e Caçapava, com 602.
Municípios com melhores saldos no semestre
- São José dos Campos: +2.225 vagas
- Taubaté: +1.853
- Tremembé: +1.417
- Guaratinguetá: +725
- Caçapava: +602
Segundo o Nupes, os municípios com os maiores saldos absolutos estão concentrados principalmente no eixo da Rodovia Presidente Dutra, incluindo as duas cidades mais populosas da região.
São José dos Campos teve 60.883 admissões e 58.658 desligamentos, resultando no saldo de 2.225 empregos.
Em Taubaté, foram 25.343 contratações e 23.490 desligamentos, com saldo positivo de 1.853 postos.
Já Tremembé registrou 3.476 admissões e 2.059 desligamentos, chegando a 1.417 empregos líquidos. O estudo aponta que o município conseguiu reverter o resultado negativo registrado em 2025, quando havia perdido 1.112 postos.
Litoral Norte aparece entre os maiores saldos negativos
Na outra ponta do levantamento, Caraguatatuba teve a maior redução absoluta de empregos da RMVale no primeiro semestre, com saldo negativo de 935 vagas.
Também registraram perdas Jacareí, com 832 postos a menos; Ubatuba, com 598; São Sebastião, com 229; e Cachoeira Paulista, com 131.
Municípios com piores saldos no semestre
- Caraguatatuba: -935 vagas
- Jacareí: -832
- Ubatuba: -598
- São Sebastião: -229
- Cachoeira Paulista: -131
O levantamento aponta que boa parte dos municípios com maiores déficits está localizada no Litoral Norte. Segundo o Nupes, um dos fatores que ajudam a explicar esse comportamento é a sazonalidade do mercado de trabalho, especialmente após o período de maior movimento turístico.
A redução de atividades após a alta temporada costuma afetar principalmente os setores de Serviços e Comércio, que concentram parte importante dos empregos ligados ao turismo.
Em Caraguatatuba, foram 7.692 admissões e 8.627 desligamentos, resultando na perda líquida de 935 postos.
Ubatuba teve 6.235 contratações e 6.833 rescisões, com saldo negativo de 598 empregos. São Sebastião registrou 4.766 admissões e 4.995 desligamentos, encerrando o semestre com 229 vagas a menos.
Jacareí tem maior perda fora do Litoral Norte
Entre os municípios do Vale do Paraíba fora do Litoral Norte, o pior resultado foi registrado em Jacareí.
O município teve 15.375 admissões e 16.207 desligamentos, levando a uma redução líquida de 832 empregos formais no primeiro semestre.
Os números mostram diferenças entre os mercados de trabalho dos municípios da RMVale. Enquanto cidades do eixo da Rodovia Presidente Dutra concentraram os maiores saldos positivos, parte dos municípios litorâneos registrou perdas associadas, entre outros fatores, ao comportamento sazonal das atividades ligadas ao turismo.
