Correios cortam benefício natalino de R$ 2,5 mil e ampliam PDV para até 15 mil funcionários
Os Correios anunciaram novas medidas de contenção de gastos em meio à pior crise financeira já registrada pela estatal. Entre as ações, está o fim do benefício natalino de R$ 2,5 mil, pago aos funcionários em 2024 como parte do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A empresa confirmou que o valor não será liberado neste ano.
O mais recente balanço aponta prejuízo de R$ 6 bilhões acumulados apenas nos nove primeiros meses de 2025, marca que prolonga uma sequência de 13 trimestres consecutivos no vermelho, iniciada no fim de 2022.

PDV ampliado para até 15 mil desligamentos
Como parte do plano de reestruturação, os Correios ampliaram o Programa de Demissão Voluntária (PDV), que agora prevê até 15 mil desligamentos:
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10 mil saídas em 2026,
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5 mil em 2027.
A projeção interna é de uma economia aproximada de R$ 1,4 bilhão.
O PDV está inserido no documento “Correios em Reestruturação”, que reúne medidas previstas para 2025-2027. O pacote inclui ainda:
• alterações no plano de saúde até junho de 2026;
• ajustes na gestão do Postalis, o fundo de pensão;
• revisão técnica de mil unidades deficitárias, o que pode resultar no fechamento ou mudança de modelo, como a migração para formatos do tipo Correios AQUI.
Estatal tenta empréstimo de R$ 20 bilhões
Para evitar colapso operacional, a empresa busca um financiamento de cerca de R$ 20 bilhões destinado a pagar fornecedores e viabilizar o plano de reestruturação.
O pedido travou no Tesouro Nacional, que recusou o aval por considerar altas demais as taxas de juros apresentadas — superiores a 120% do CDI.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que não descarta um aporte emergencial, desde que respeite as regras fiscais. O governo avalia possibilidades de solução temporária para permitir melhores condições de negociação da estatal com o mercado.
Negociação com trabalhadores
Em nota, os Correios afirmaram que todos os temas ligados ao ACT — incluindo o fim do benefício natalino — estão em tratativa direta com os representantes dos trabalhadores.
A reestruturação já provoca mobilização sindical, e entidades discutem possíveis ações diante do impacto das medidas.
