Vereadores de Taubaté aprovam moção de repúdio contra linguagem neutra no Projeto Guri
Com apenas 2 votos contrários, a Câmara de Taubaté aprovou uma moção de repúdio “pelo uso de linguagem neutra em documentos de comunicação com os pais e alunos”, adotado por uma funcionária do Projeto Guri no município.
A moção de repúdio foi aprovada na sessão realizada na última terça-feira, dia 9 de agosto.

A moção é assinada pelos vereadores Dentinho (União), Alberto Barreto (PRTB), Serginho (PP) e Vivi da Rádio (Republicanos). Os dois votos contrários foram das vereadoras Elisa Representa Taubaté (Cidadania) e Talita Cadeirante (PSB). O vereador Neneca (PDT) se absteve de votar.
Na moção, os autores afirmam que uma das funcionárias do projeto na cidade encaminhou um documento para pais e responsáveis de alunos, em agosto, utilizando a terminologia “todes” vários trechos.
No texto, os vereadores justificam a moção com o argumento de que a linguagem neutra é o “pano de fundo” do “avanço da militância de gênero na educação”, “contrariando a educação tradicional proporcionada pela família”.
Eles ainda afirmam que “o cerne dessa ideologia nefasta” é “a destruição dos vínculos entre pais e filhos”.
Votos contrários
Pelas redes sociais, a vereadora Talita Cadeirante (PSB) se posicionou contrária a moção de repúdio e contestou o argumento de que a linguagem neutra destrua vínculos entre pais e filhos, conforme está no texto da moção de repúdio. “Eu nunca ouvi um relato de que a palavra “todes” destruiu um lar.”, escreveu a vereadora.
A vereadora também explicou que motivo da moção de repúdio não foi “pela técnica da falta de regulamentação e sim por puro preconceito”, escreveu.
Veja a postagem:
DOIS PESOS DUAS MEDIDAS
Agora pouco foi votado na Câmara de Taubaté uma moção de repúdio à uma profissional da educação que usou a linguagem neutra com crianças e adolescentes do Projeto Guri
e eu votei contra a moção e vou explicar o porquê:
— Talita Cadeirante ♿️ (@talicadeirante) August 9, 2022
Mas o que é a linguagem neutra?
Trata-se da substituição dos artigos feminino e masculino por um “x”, “e” ou até pela “@” em alguns casos. Assim, “amigo” ou “amiga” virariam “amigue” ou “amigx”. As palavras “todos” ou “todas” seriam trocadas, da mesma forma, por “todes”, “todxs” ou “tod@s”.
Popular principalmente na internet, a mudança ainda não tem um modelo definido.
Os defensores da linguagem neutra também defendem a adoção do pronome “elu” para se referir a qualquer pessoa, independente do gênero, de maneira que abranja pessoas não-binárias ou intersexo que não se identifiquem como homem ou como mulher.

De acordo com a norma padrão da língua portuguesa, os artigos definidos determinam os substantivos de forma particular, objetiva e precisa, individualizando seres e objetos.
Quando é referido a um grupo de pessoas, composto por homens e mulheres, a norma padrão permite a utilização do artigo masculino, mesmo que majoritariamente feminino, pode-se referir às pessoas do grupo como “eles” ou “todos”.
Vestibulares ou concursos públicos exigem o usa da norma culta da língua.
