julho 26, 2026

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Tremembé: hacker Walter Delgatti tem primeira saída temporária autorizada pela Justiça

O hacker Walter Delgatti Neto, que cumpre pena na Penitenciária 2 de Tremembé, no Vale do Paraíba, recebeu autorização para a primeira saída temporária desde que foi condenado.

A liberação foi formalizada em documento protocolado nesta segunda-feira (9), no qual o chefe da divisão de segurança da unidade prisional (P2) autorizou o benefício.

De acordo com o registro, Delgatti deverá utilizar tornozeleira eletrônica durante todo o período fora da prisão.

Imagem: Reprodução

Saída temporária começa em 17 de março

Segundo a programação do sistema prisional, a primeira saída temporária de 2026 terá início na terça-feira (17).

Assim como Delgatti, outros detentos da P2 de Tremembé que cumprem pena em regime semiaberto também poderão usufruir do benefício.

Os presos deverão retornar à unidade prisional até as 15h do dia 23 de março, conforme determinação da administração penitenciária.


Trajetória no sistema prisional

Walter Delgatti Neto chegou à Penitenciária 2 de Tremembé em fevereiro de 2025.

Em dezembro do mesmo ano, ainda no regime fechado, ele foi transferido para a Penitenciária 2 de Potim, também localizada no Vale do Paraíba.

Já no início de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou a progressão de regime para o semiaberto. Com a decisão, Delgatti retornou para a unidade de Tremembé, onde passou a cumprir a pena nessa modalidade.


Defesa afirma que benefício segue a Lei de Execução Penal

Em nota, a defesa de Delgatti informou que a saída temporária ocorre após o cumprimento dos requisitos previstos na Lei de Execução Penal, incluindo critérios como tempo mínimo de pena cumprido e comportamento carcerário considerado adequado.

Segundo os advogados, o período fora da prisão faz parte do processo de ressocialização e será dedicado ao convívio familiar, com retorno dentro do prazo estabelecido pela Justiça.


Condenação por invasão ao sistema do CNJ

Delgatti foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 8 anos e 3 meses de prisão por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir documentos falsos na plataforma.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a invasão ocorreu em janeiro de 2023 e teria como objetivo questionar a credibilidade do Judiciário e reforçar dúvidas sobre as eleições de 2022.

Entre os registros falsificados estava uma suposta ordem de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, que aparecia “assinada” pelo próprio magistrado.

Com o encerramento dos recursos no STF, a prisão deixou de ser preventiva e passou a ser cumprimento definitivo da pena.


Outros processos relacionados

No mesmo caso, a deputada federal Carla Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão e à perda do mandato, após ser apontada pela PGR como mentora da invasão ao sistema do CNJ. O nome da parlamentar também foi incluído na lista de difusão vermelha da Interpol.

Antes dessa condenação, Delgatti já havia sido sentenciado em primeira instância a 20 anos de prisão por invadir contas de autoridades públicas durante as investigações da antiga Operação Lava Jato.

Esse episódio ficou conhecido como Operação Spoofing. Nesse processo, o hacker responde em liberdade, pois ainda há recursos pendentes na segunda instância da Justiça Federal em Brasília.