Tremembé: hacker Walter Delgatti tem primeira saída temporária autorizada pela Justiça
O hacker Walter Delgatti Neto, que cumpre pena na Penitenciária 2 de Tremembé, no Vale do Paraíba, recebeu autorização para a primeira saída temporária desde que foi condenado.
A liberação foi formalizada em documento protocolado nesta segunda-feira (9), no qual o chefe da divisão de segurança da unidade prisional (P2) autorizou o benefício.
De acordo com o registro, Delgatti deverá utilizar tornozeleira eletrônica durante todo o período fora da prisão.

Saída temporária começa em 17 de março
Segundo a programação do sistema prisional, a primeira saída temporária de 2026 terá início na terça-feira (17).
Assim como Delgatti, outros detentos da P2 de Tremembé que cumprem pena em regime semiaberto também poderão usufruir do benefício.
Os presos deverão retornar à unidade prisional até as 15h do dia 23 de março, conforme determinação da administração penitenciária.
Trajetória no sistema prisional
Walter Delgatti Neto chegou à Penitenciária 2 de Tremembé em fevereiro de 2025.
Em dezembro do mesmo ano, ainda no regime fechado, ele foi transferido para a Penitenciária 2 de Potim, também localizada no Vale do Paraíba.
Já no início de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou a progressão de regime para o semiaberto. Com a decisão, Delgatti retornou para a unidade de Tremembé, onde passou a cumprir a pena nessa modalidade.
Defesa afirma que benefício segue a Lei de Execução Penal
Em nota, a defesa de Delgatti informou que a saída temporária ocorre após o cumprimento dos requisitos previstos na Lei de Execução Penal, incluindo critérios como tempo mínimo de pena cumprido e comportamento carcerário considerado adequado.
Segundo os advogados, o período fora da prisão faz parte do processo de ressocialização e será dedicado ao convívio familiar, com retorno dentro do prazo estabelecido pela Justiça.
Condenação por invasão ao sistema do CNJ
Delgatti foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 8 anos e 3 meses de prisão por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir documentos falsos na plataforma.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a invasão ocorreu em janeiro de 2023 e teria como objetivo questionar a credibilidade do Judiciário e reforçar dúvidas sobre as eleições de 2022.
Entre os registros falsificados estava uma suposta ordem de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, que aparecia “assinada” pelo próprio magistrado.
Com o encerramento dos recursos no STF, a prisão deixou de ser preventiva e passou a ser cumprimento definitivo da pena.
Outros processos relacionados
No mesmo caso, a deputada federal Carla Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão e à perda do mandato, após ser apontada pela PGR como mentora da invasão ao sistema do CNJ. O nome da parlamentar também foi incluído na lista de difusão vermelha da Interpol.
Antes dessa condenação, Delgatti já havia sido sentenciado em primeira instância a 20 anos de prisão por invadir contas de autoridades públicas durante as investigações da antiga Operação Lava Jato.
Esse episódio ficou conhecido como Operação Spoofing. Nesse processo, o hacker responde em liberdade, pois ainda há recursos pendentes na segunda instância da Justiça Federal em Brasília.
