São Paulo: Tenente-coronel preso por morte da esposa vira alvo de nova denúncia na Corregedoria da PM
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, preso e acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, passou a ser investigado em uma nova denúncia encaminhada à Corregedoria da PM de São Paulo. O oficial, natural de Taubaté e que foi preso em São José dos Campos, agora é alvo de acusações de suposto assédio sexual e assédio moral contra uma policial militar subordinada.
A denúncia foi protocolada no último dia 30 de abril e relata que as abordagens atribuídas ao oficial teriam continuado mesmo após a morte de Gisele, registrada em fevereiro deste ano, na capital paulista.
Segundo o documento apresentado pela defesa da policial militar Rariane Caroline, o tenente-coronel enviava mensagens insistentes, fazia convites de caráter pessoal e pressionava a soldado dentro do ambiente profissional, no 49º Batalhão da Polícia Militar Metropolitano, onde ambos atuavam.

Caso ganhou repercussão após decisão do STJ
O episódio ganhou novos desdobramentos depois que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o militar será julgado pela Justiça comum, e não pela Justiça Militar. Ele responde por feminicídio e fraude processual no caso da morte da esposa.
Conforme a denúncia, apenas 14 dias após a morte de Gisele, o oficial teria retomado contato com a policial subordinada. A aproximação teria ocorrido em 4 de março, quando ele tentou conversar sobre as investigações envolvendo o assassinato da esposa, no qual já era apontado como principal suspeito.
Ainda segundo o relato, a soldado teria pedido para que o coronel não voltasse a procurá-la, alegando sofrer pressão dentro da corporação por rumores de um possível relacionamento entre os dois. Mesmo assim, as mensagens e tentativas de contato teriam continuado.
Relatos apontam mensagens insistentes e comportamento invasivo
De acordo com a denúncia enviada à Corregedoria, o comportamento começou com elogios profissionais, mas passou a incluir comentários pessoais sobre aparência física, uniforme e vida particular da policial.
O documento afirma ainda que, a partir de agosto de 2025, as mensagens teriam se tornado mais explícitas. Entre os relatos apresentados, o oficial teria afirmado que “queria ela pra ele”, desejava manter “algo em off” e chegou a dizer que “queria beijar sua boca”.
Outro episódio citado aponta que o militar teria ido até o prédio onde a policial morava levando flores. Sem conseguir contato direto, ele teria deixado o buquê na portaria do condomínio.
Tenente-coronel responde por feminicídio da esposa
Geraldo Leite Rosa Neto já é réu por feminicídio e fraude processual pela morte da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos.
Segundo o Ministério Público, a policial foi morta com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde o casal vivia, na região do Brás, em São Paulo. A acusação sustenta que o oficial teria alterado a cena para simular suicídio.
Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio consumado. No entanto, após perícias e reconstituição da dinâmica do disparo, a Polícia Civil concluiu que a versão apresentada não era compatível com os vestígios encontrados no imóvel.
Com o avanço das investigações, a Justiça decretou a prisão preventiva do oficial, detido em março deste ano em um condomínio de São José dos Campos.
O processo será conduzido pela 5ª Vara do Júri do Tribunal de Justiça de São Paulo. O entendimento do STJ é que crimes dolosos contra a vida sem relação direta com atividade militar devem tramitar na Justiça comum.
