São José dos Campos: Polícia conclui que GCM não teve intenção de atropelar adolescentes em acidente que matou jovem
A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigou o acidente envolvendo uma viatura da Guarda Civil Municipal (GCM) que resultou na morte de um adolescente de 16 anos, em São José dos Campos. Segundo o relatório final, não foi identificada intenção do guarda municipal que dirigia o veículo de atropelar os jovens durante o acompanhamento.
O acidente ocorreu em 7 de setembro, no bairro Dom Pedro I, na Zona Sul da cidade. Dois adolescentes estavam em uma motocicleta quando passaram a ser acompanhados por agentes da GCM. Após a colisão, um dos jovens morreu e o outro, que pilotava a moto, ficou ferido e foi apreendido.
De acordo com a conclusão da investigação, a dinâmica do acidente estaria relacionada à condução da motocicleta. O delegado responsável pelo caso, Alexandre Bologna, afirmou que uma testemunha relatou que o adolescente teria freado de maneira repentina durante o acompanhamento, reduzindo o tempo disponível para uma reação do motorista da viatura.
A perícia descartou problemas nos freios e em outros equipamentos de segurança do veículo da GCM.
O laudo de local apontou uma marca de frenagem de 27,4 metros no asfalto. Com base nesse vestígio e nas características da via, os peritos estimaram que a viatura trafegava a pelo menos 67 km/h antes de começar a frear.
A velocidade da motocicleta não pôde ser determinada pela perícia.

Viatura atingiu motocicleta e muro
Segundo o laudo, os dois veículos seguiam no mesmo sentido. Nas proximidades de um cruzamento, a viatura atingiu a traseira da motocicleta.
Com o impacto, o adolescente que estava na garupa foi lançado. A moto continuou desgovernada até atingir o muro de uma residência.
A viatura também permaneceu em movimento depois do acionamento dos freios e atingiu a mureta e o gradil do imóvel. Conforme a perícia, o adolescente acabou comprimido contra a mureta e os escombros.
Os peritos encontraram ainda um fragmento plástico azul preso à parte traseira da motocicleta. O material era compatível com o para-choque da viatura e foi considerado um vestígio do contato entre os dois veículos.
Polícia não identificou imperícia ou negligência do GCM
No relatório final, a Polícia Civil informou que não foram demonstradas imperícia ou negligência por parte do guarda municipal que conduzia a viatura.
A investigação também concluiu que não foi identificada intenção do agente de provocar o acidente.
Segundo o delegado Alexandre Bologna, a conclusão levou em consideração o laudo produzido pela Polícia Técnico-Científica, além de depoimentos de testemunhas, versões apresentadas pelos envolvidos e outros elementos reunidos durante o inquérito.
“O guarda, na verdade, teve poucos segundos para tentar reagir e tentar evitar a colisão”, afirmou o delegado.
Ainda conforme o delegado, o adolescente que conduzia a motocicleta teria desobedecido à ordem de parada dos agentes e realizado uma frenagem repentina durante o acompanhamento.
A investigação apontou responsabilidade do adolescente que pilotava a moto pela dinâmica do acidente. Os atos infracionais atribuídos a ele serão analisados pela Vara da Infância e Juventude, segundo a Polícia Civil.
Perícia descarta falha nos freios da viatura
No dia do acidente, o motorista da GCM havia relatado à polícia que os freios da viatura teriam falhado durante o acompanhamento.
A perícia, entretanto, concluiu que não foram encontrados problemas no sistema de frenagem ou em outros itens de segurança do veículo.
A conclusão já havia sido citada pelo prefeito Anderson Farias (PSD) em 24 de setembro. Na ocasião, ele afirmou que a viatura não apresentava problemas mecânicos.
A Prefeitura também informou que abriu uma sindicância para apurar as circunstâncias do acidente.
Motocicleta tinha registro de furto
O acompanhamento começou depois que agentes da GCM avistaram os dois adolescentes em uma motocicleta sem placa e sem capacete e deram ordem de parada.
Após a colisão, a polícia constatou que a motocicleta tinha sido furtada.
O adolescente que conduzia o veículo ficou ferido e foi apreendido. Conforme o delegado, os atos infracionais atribuídos ao jovem serão encaminhados para análise da Vara da Infância e Juventude.
Veículos tiveram danos após a colisão
A viatura utilizada pela GCM, uma JAC Motors E-J7, sofreu danos significativos na parte dianteira. Entre os problemas identificados estavam a quebra do para-choque, amassamento do capô e danos na estrutura de arrefecimento e em cabos do sistema elétrico.
Já a motocicleta, uma Royal Enfield Classic 350, apresentou danos no paralama, farol, painel, guidão, roda dianteira, tanque de combustível e suspensão.
A investigação também avaliou os danos provocados no imóvel atingido pela viatura.
Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil encerrou a apuração sobre a dinâmica do acidente. Os atos infracionais atribuídos ao adolescente que conduzia a motocicleta serão analisados pela Justiça especializada da Infância e Juventude.
