Mundo: Como é o presídio federal onde Nicolás Maduro está detido nos EUA e que já abrigou ex-presidente da CBF
Após os ataques dos Estados Unidos à Venezuela, na madrugada do último sábado (3), o presidente Nicolás Maduro foi capturado e levado para Nova York, onde passou a responder à Justiça norte-americana. Ele é acusado de quatro crimes, entre eles narcotráfico e terrorismo, e permanece detido em uma prisão federal de segurança máxima.
Ao chegar aos Estados Unidos, Maduro foi encaminhado inicialmente a uma unidade da DEA (agência antidrogas), também em Nova York. Em seguida, foi transferido para o Centro de Detenção Metropolitano (MDC), no Brooklyn, a única unidade federal da cidade, que abriga presos provisórios e condenados considerados de alta periculosidade.

Presídio reúne nomes famosos e histórico de polêmicas
O MDC do Brooklyn é conhecido tanto por casos de grande repercussão quanto por escândalos envolvendo suas condições internas. Entre os detentos mais conhecidos que já passaram pela unidade estão o rapper Sean “Diddy” Combs, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, que ficou preso no local entre 2017 e 2020, e Michael Cohen, ex-advogado de Donald Trump, para quem trabalhou por cerca de 12 anos.
A presença de figuras públicas costuma trazer o presídio para o centro do noticiário. Reportagens do The New York Times já relataram problemas como infestações de ratos, banheiros com esgoto exposto e episódios de violência entre presos, incluindo a morte de dois detentos esfaqueados em ocorrências recentes.

Relatos apontam ambiente degradante e riscos à segurança
Em entrevistas concedidas no ano passado, Michael Cohen descreveu o MDC como um local com camas sem travesseiro, colchões extremamente finos, celas apertadas, feitas inteiramente de concreto, além de riscos constantes à segurança.
“É um ambiente desolador, sem livros ou qualquer conforto”, afirmou à época, em entrevista à CNN.
Inaugurado no início da década de 1990, o MDC é um grande complexo de concreto que abriga cerca de 1.200 detentos e acumula reclamações há anos. Segundo a Associated Press, equipes do Bureau of Prisons atuam para reduzir os problemas, com reforço de agentes, profissionais de saúde e a tentativa de resolver mais de 700 pedidos de manutenção pendentes.
Incêndios, mortes e falta de funcionários
Em 2019, um incêndio de origem elétrica deixou parte dos presos sem aquecimento durante o inverno rigoroso. Em julho do ano passado, um detento morreu após uma briga, e o advogado da vítima classificou o local como uma “prisão federal superlotada, com falta de funcionários e negligenciada, um verdadeiro inferno na Terra”.
O MDC é usado principalmente para custódia de pessoas que aguardam julgamento, mas também registra casos de suicídio nos últimos anos. De acordo com a AP, seis funcionários já foram acusados de crimes, incluindo suborno e contrabando. Em 2025, a unidade operava com cerca de 55% da capacidade total de pessoal.
Outros presos de repercussão internacional
Além de Maduro, Marin e Cohen, também passaram pelo MDC do Brooklyn nomes como Ghislaine Maxwell, ex-companheira de Jeffrey Epstein, e Sam Bankman-Fried, fundador da corretora de criptomoedas FTX, condenado por desviar bilhões de dólares de clientes para investimentos de alto risco.
