outubro 4, 2026

012 News | O portal de notícias do Vale do Paraíba e Litoral Norte

O conceito da 012 News é informar e entreter nossos telespectadores e ouvinte.

Justiça suspende demissões na MWL em Caçapava

As demissões realizadas pela MWL durante a greve que cobra o pagamento dos salários estão suspensas. A decisão é do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª região, que acolheu pedido do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região.

A estimativa é de que cerca de 60 operários tenham sido demitidos ilegalmente.

Imagem: Divulgação/SindMetal SJC

A liminar, expedida no último dia 15 de junho, é assinada pelo desembargador Lorival Ferreira dos Santos, da Seção de Dissídios Coletivos (SDC), do tribunal.

As demissões, agora canceladas pela decisão judicial, foram realizadas no dia 6 de junho, exatamente um mês após o início da greve contra os atrasos. A direção da fábrica alegou um inexistente “abandono de emprego”.

Participe do nosso grupo de WhatsApp e receba as principais notícias do Vale do Paraíba e Litoral Norte

“Registro que é incontroverso o dano dos trabalhadores, que, ao exercer o direto de greve pelo atraso no pagamento dos salários, que se trata da remuneração responsável por sua subsistência e de sua família, tem a situação agravada com a dispensa por abandono de emprego, ou seja, a máxima penalidade aplicada ao contrato, com a maior restrição dos direitos trabalhistas”, diz trecho da sentença.

A suspensão das demissões na MWL também foi baseada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), surgida após ação movida pelo Sindicato contra a Embraer em 2009, que determina que haja negociação com o representante dos trabalhadores antes de dispensas coletivas.

Recentemente, os advogados do Sindicato também conseguiram suspender cortes em massa na Avibras e Caoa Chery, ambas em Jacareí.

Histórico

A greve na MWL, em Caçapava, começou no dia 6 de maio, após a empresa atrasar os salários de abril. A partir de então, o Sindicato organizou diversas mobilizações para defender os direitos dos metalúrgicos diante do descaso da fábrica, administrada por empresários chineses.

Em todas as negociações, a MWL não deu sinais de que pretende pagar o que deve aos funcionários. Recentemente, até a energia da fábrica foi cortada por falta de pagamento, segundo o Sindicato.

Na última reunião, ocorrida no dia 13 de junho com o presidente da empresa, Michael Liang, o Sindicato colocou como condição para a volta ao trabalho o pagamento de todos os atrasados. Liang, na ocasião, não aceitou.

Com a decisão do TRT de suspender as demissões, os trabalhadores esperam que a MWL reveja sua postura.

“A mobilização vai continuar até que a dramática situação dos trabalhadores seja resolvida. Sem salário, não há como se garantir a sobrevivência de ninguém. E isso não pode permanecer desta forma”, afirma o presidente em exercício do Sindicato, Valmir Mariano.

Leia Mais: MWL rejeita proposta do Tribunal Regional do Trabalho e greve continua em Caçapava

Recuperação judicial

A MWL produz rodas e eixos para o setor ferroviário e está em recuperação judicial. Segundo o sindicato, a empresa se comprometeu a pagar os salários atrasados durante audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), mas descontou os 25 dias de paralisação, o que levou à continuidade da greve.

O sindicato relata ainda que empresa atrasa salários e FGTS e submete os trabalhadores a condições insalubres.

A MWL, até o momento, não se pronunciou sobre o caso.