IBGE: Vendas no varejo recuam 3,1% em agosto
O volume de vendas do comércio varejista do país caiu 3,1% em agosto, na comparação com julho, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (06) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O recuo o é o maior para o mês de agosto desde o começo da série histórica, em 2000. O desempenho ficou bem abaixo das expectativas do mercado.
Na comparação com agosto do ano passado, as vendas recuaram 4,1%, o primeiro recuo após cinco meses de taxas positivas.

O IBGE também revisou os resultados dos meses anteriores.
Em julho, frente a junho, o comércio tinha avançado 1,2% inicialmente, mas o dado foi revisado para alta de 2,7%. Já o dado de junho foi atualizado para queda de 1,1% em vez da leitura anterior de alta de 0,9%.
Seis das oito atividades pesquisadas tiveram taxas negativas em agosto, com destaque para outros artigos de uso pessoal e doméstico (-16%), a principal influência negativa no mês. Essa atividade é composta, por exemplo, pelas grandes lojas de departamento.
O setor ainda registrou avanço de 5,1% no acumulado do ano, de janeiro a agosto. Em período maior, de 12 meses, houve crescimento de 5%. Após os impactos iniciais da pandemia, o comércio aposta na reabertura de lojas e no menor nível de restrições a atividades para se recuperar.
A retomada, contudo, é ameaçada pela escalada da inflação e pelo desemprego elevado. Em conjunto, os dois fatores diminuem o poder de compra da população. A inflação vem ganhando força no país com a pressão de itens como combustíveis e energia elétrica. No acumulado de 12 meses até agosto, dado mais recente à disposição, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) se aproximou de dois dígitos, com alta de 9,68%.
Já o desemprego ainda atingiu 14,1 milhões de brasileiros no trimestre encerrado em julho. À época, a taxa de desocupação foi de 13,7%.
Devido à pressão inflacionária, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) passou a subir a taxa básica de juros, a Selic. Os juros maiores, em um contexto de desemprego acentuado e preços em alta, jogam contra o consumo das famílias.
Antes de apresentar o resultado do comércio, o IBGE divulgou, na terça-feira (5), o desempenho da produção industrial em agosto. Conforme o instituto, a produção das fábricas caiu 0,7% no oitavo mês deste ano. O dado do setor de serviços, por sua vez, será conhecido na próxima semana.
Volume de vendas segundo grupos de atividades:
- Combustíveis e lubrificantes: -2,4%
- Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: -0,9%
- Tecidos, vestuário e calçados: 1,1%
- Móveis e eletrodomésticos: -1,3%
- Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: 0,2%
- Livros, jornais, revistas e papelaria: -1%
- Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: -4,7%
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico: -16%
- Veículos, motos, partes e peças: 0,7% (varejo ampliado)
- Material de construção: -1,3% (varejo ampliado)
