Brasil: Embraer aponta Nagpur como possível local de fábrica do C-390 na Índia
A Embraer e o Grupo Mahindra avançaram nas discussões para uma possível produção do C-390 Millennium na Índia. As empresas identificaram Nagpur, no estado de Maharashtra, como uma das possibilidades para receber a futura linha de montagem final da aeronave.
A definição faz parte dos preparativos para a participação conjunta no programa de Aeronaves de Transporte Médio (MTA) da Força Aérea Indiana.
A eventual fábrica, porém, ainda não está confirmada. A instalação só deverá avançar caso o governo da Índia escolha o C-390 para o programa e seja firmado um contrato com a Força Aérea Indiana.

Projeto depende da escolha do C-390 pela Índia
Segundo a Embraer, as empresas já mantêm tratativas com o governo de Maharashtra para avaliar e preparar a infraestrutura necessária, caso a proposta avance.
A possibilidade de instalação em Nagpur prevê a formação de uma estrutura voltada à produção e ao suporte do cargueiro militar. O projeto poderá envolver montagem de aeronaves, engenharia de manufatura, integração de sistemas e desenvolvimento de fornecedores locais.
“A definição de Nagpur como potencial local para a instalação da linha de montagem representa um passo importante na construção de um ecossistema aeroespacial robusto e de longo prazo no país”, afirmou Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.
A declaração representa a avaliação da empresa sobre o projeto e não significa que a unidade tenha sido oficialmente aprovada pelo governo indiano.
Embraer e Mahindra ampliaram parceria desde 2024
A cooperação entre Embraer e Mahindra para apresentar o C-390 ao mercado indiano começou a ganhar forma em 2024, quando as empresas assinaram um Memorando de Entendimentos.
Em outubro de 2025, os grupos firmaram um Acordo de Cooperação Estratégica para trabalhar conjuntamente na candidatura da aeronave ao programa MTA.
O acordo prevê discussões sobre industrialização, fabricação e montagem local, além do desenvolvimento da cadeia de fornecedores e de serviços de manutenção, reparo e revisão (MRO) na Índia.
Em fevereiro de 2026, as companhias também anunciaram a intenção de criar uma estrutura local de MRO para o C-390 Millennium. Assim como a possível fábrica, esse projeto está condicionado à escolha da aeronave pela Força Aérea Indiana.
Para Vinod Sahay, integrante do Conselho Executivo do Mahindra Group, a iniciativa poderá contribuir para ampliar a capacidade industrial e tecnológica do país.
Projeto se relaciona às políticas industriais indianas
A proposta apresentada pelas empresas está relacionada aos programas do governo indiano conhecidos como “Make in India” e “Atmanirbhar Bharat”, que têm entre seus objetivos ampliar a produção doméstica e a autonomia industrial do país.
Caso o projeto avance, a estrutura prevista em Nagpur poderá integrar fornecedores e empresas locais à cadeia de produção e suporte do C-390.
Por enquanto, no entanto, não há confirmação de instalação da fábrica. O projeto depende de decisões posteriores do governo da Índia, da eventual seleção do C-390 no programa MTA, da assinatura de contrato e das aprovações necessárias.
C-390 é aeronave militar multimissão
Desenvolvido pela Embraer, o C-390 Millennium é uma aeronave militar multimissão destinada a diferentes operações.
O modelo pode ser empregado no transporte de tropas e cargas, lançamento de equipamentos e pessoal, evacuação médica, busca e salvamento, combate a incêndios e missões humanitárias.
De acordo com as especificações divulgadas pela fabricante, o avião pode transportar até 26 toneladas de carga e operar também em pistas temporárias ou não pavimentadas.
Uma eventual produção em território indiano ampliaria a presença internacional do programa e envolveria a estrutura industrial da Mahindra e a experiência aeronáutica da Embraer.
Neste momento, porém, Nagpur é apenas o local potencial para uma eventual linha de montagem. A construção da unidade e a produção do C-390 na Índia ainda dependem da definição do programa MTA e das etapas contratuais e regulatórias seguintes.
