Brasil: Correios anunciam plano de reestruturação após empréstimo de R$ 12 bilhões
Os Correios divulgaram nesta semana um amplo Plano de Reestruturação 2025–2027, ancorado na captação de R$ 12 bilhões em crédito, considerada estratégica para recuperar a sustentabilidade financeira, modernizar a operação logística e reposicionar a estatal no mercado. O anúncio foi feito pelo presidente da empresa, Emmanoel Rondon.
Do total captado, R$ 10 bilhões foram liberados em dezembro do ano passado, enquanto os R$ 2 bilhões restantes têm liberação prevista até 30 de janeiro de 2026. Segundo a direção, os recursos asseguram liquidez imediata, permitindo a regularização de pagamentos em atraso, a estabilização do fluxo de caixa e a recomposição da confiança de fornecedores, empregados e clientes.
“O crédito interrompe a espiral negativa herdada, devolve capacidade operacional e cria condições seguras para avançarmos na reestruturação. É um ponto de virada para recolocar os Correios em uma rota sustentável”, afirmou Rondon.

Diagnóstico financeiro e fase emergencial
O financiamento marca o início da Fase 1 do plano, voltada ao controle emergencial da crise. Levantamento interno aponta déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões por ano, patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro de 2025, além da queda em indicadores de qualidade e liquidez.
Venda de imóveis e PDV no pacote
Entre as ações já em andamento, a estatal confirmou a alienação de imóveis sem função operacional, com expectativa de arrecadar R$ 1,5 bilhão, reduzindo custos de manutenção e reforçando o caixa.
Outro eixo é a retomada do Programa de Demissão Voluntária (PDV) em janeiro de 2026, com projeção de adesão de até 15 mil empregados ao longo de dois anos. A economia estimada é de R$ 2,1 bilhões por ano, com impacto pleno a partir de 2028.
O plano também prevê ajustes no plano de saúde dos funcionários, com economia projetada de R$ 700 milhões anuais a partir de 2027, além da renegociação de dívidas judiciais. No conjunto, as medidas de gestão devem reduzir despesas em R$ 5 bilhões até 2028.
Modernização, investimentos e novas receitas
Para retomar o crescimento, os Correios estimam R$ 4,4 bilhões em investimentos entre 2027 e 2030, financiados pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NDB/Brics). As prioridades incluem:
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Automação de centros de tratamento de encomendas
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Modernização e descarbonização da frota
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Atualização de sistemas e infraestrutura digital
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Redesenho da malha logística nacional
A estratégia busca transformar a estatal em um ecossistema integrado de logística e serviços digitais, com expansão em e-commerce, última milha, logística hospitalar e farmacêutica, integração internacional, agronegócio, além de seguros e serviços financeiros, incluindo conta digital.
A projeção é gerar R$ 8 bilhões adicionais em receitas até 2029, com retorno ao lucro sustentável a partir de 2027.
“Este plano vai além da recuperação financeira. Reafirma os Correios como um ativo estratégico do Estado brasileiro, essencial para integrar o território nacional e garantir acesso logístico onde poucos chegam”, concluiu Rondon.
