outubro 17, 2026

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Veja o que é fato ou fake no último debate presidencial neste 1º turno das eleições

Com bate-boca, quebra de regras e mentiras, o último debate presidencial neste 1º turno das eleições 2022 foi marcado pela falta de divulgação de propostas por boa parte da sua exibição na noite desta quinta-feira (29), pela Rede Globo.

Estiveram presentes nos estúdios da emissora, no Rio de Janeiro, os candidatos Ciro Gomes (PDT), Jair Bolsonaro (PL), Lula (PT), Felipe D’Ávila (NOVO), Simone Tebet (MDB), Soraya Thronicke (União Brasil) e Padre Kelmon (PTB).

Foto: Divulgação / TV Globo/ João Miguel Júnior

A agência Lupa, plataforma especializada em fact-checking, monitorou as falas dos presidenciáveis e apontou o que era verdadeiro e o que era mentiroso durante o debate.

Selecionamos as declarações dos três candidatos mais bem posicionados nas últimas pesquisas eleitorais, confira logo abaixo.

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Foto: Reprodução/TV Globo

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

“Nós aumentamos o salário mínimo em 77%”

VERDADEIRO

Entre janeiro de 2003, primeiro ano do governo Lula, até janeiro de 2016, meses antes de Dilma Rousseff (PT) deixar o cargo, o aumento real do salário mínimo (acima da inflação) foi de 75,03%. O levantamento é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) (página 4) e considera a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

 

“[…] No nosso tempo de governo, a gente criou uma coisa chamada Portal da Transparência”

VERDADEIRO

O Portal da Transparência foi criado pela Controladoria-Geral da União (CGU) em 2004, durante o primeiro mandato do governo Lula. Com ele, é possível que qualquer cidadão encontre informações sobre gastos públicos do governo federal.

 

“Devíamos pro FMI, pagamos […]”

VERDADEIRO

No final de 2005, o governo brasileiro decidiu quitar a dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI), pagando US$ 15,5 bilhões. O pagamento foi antecipado. As parcelas venceriam apenas no ano de 2007.

 

“Os números dizem que nós temos 31 milhões de pessoas passando fome. (…)”

VERDADEIRO

De acordo com o Inquérito Nacional Sobre Segurança Alimentar no Contexto da Pandemia Covid-19 no Brasil, de junho de 2022, 33,1 milhões de brasileiros estão em situação de insegurança alimentar grave, o equivalente a “passar fome”, como citado por Lula.

 

“[…] Nós fizemos reforma agrária e colocamos 52 milhões de hectares de terra à disposição do assentamento de 70 mil famílias”

FALSO

Segundo dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), entre 2003 e 2010, anos em que Lula atuou como presidente da República, foram assentadas 614.088 famílias – cerca de nove vezes mais do que o citado pelo presidenciável.

No mesmo período, o total de hectares destinados à reforma agrária foi 48,3 milhões de hectares (página 7), 7% menor que o citado por Lula.

 

“Fui absolvido em dois processos da ONU”

FALSO

A Organização das Nações Unidas (ONU) não é responsável por julgar processos contra o ex-presidente Lula e, por esse motivo, não é possível afirmar que o petista foi “absolvido” pela entidade. O que, de fato, aconteceu é que, em abril deste ano, o Comitê de Direitos Humanos da ONU indicou que Lula teve seus direitos políticos violados.

O comitê indicou que Lula não teve direito a um julgamento conduzido por um tribunal imparcial e que o ex-juiz federal Sergio Moro e procuradores violaram a presunção de inocência. Vale pontuar ainda que a decisão do comitê não foi unânime.

O Comitê de Direitos Humanos da ONU é composto por 18 especialistas de diferentes países. Sem carreira na diplomacia, os integrantes do comitê são eleitos para mandatos de quatro anos, pelas nações signatárias do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, levando em consideração suas competências na área. Esses peritos não são considerados representantes de seus países.

 

“Em 2002, eu peguei o país com 12% de inflação […]”

VERDADEIRO

Em 2002, ano em que Lula foi eleito pela primeira vez, a inflação no Brasil chegou a 12,5%, de acordo com dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) compilados pelo Banco Central. Em 2003, primeiro ano do petista como presidente, o IPCA baixou para 9,3%.

Foto: Reprodução/TV Globo

Jair Bolsonaro

“[…] Quem conseguisse emprego perdia o Bolsa Família”

FALSO

Os beneficiários do antigo Bolsa Família que aumentavam sua renda contavam com garantias de proteção caso conseguissem trabalho. Segundo as regras, era possível continuar recebendo o benefício mesmo obtendo um emprego formal ou informal.

O recebimento só seria cortado se a renda familiar per capita (por pessoa) ultrapassasse o limite de renda permitido pelo programa, não podendo ser maior do que meio salário mínimo. O benefício foi substituído, em 2021, pelo Auxílio Brasil.

Mesmo nos casos em que a renda familiar havia subido para até meio salário mínimo por pessoa, os beneficiários podiam continuar recebendo o Bolsa Família por até dois anos, desde que a família atualizasse voluntariamente as informações no Cadastro Único — essa norma era chamada de Regra de Permanência.

Já os beneficiários que aumentavam sua renda acima de meio salário mínimo per capita contavam com o Retorno Garantido, que garantia um prazo de até 36 meses para retornar ao programa, caso necessário. Vale ressaltar que essa medida era válida para aqueles que, por iniciativa própria, se desligavam do programa.

 

“Delatores [da operação Lava Jato] devolveram R$ 6 bilhões (…)”

VERDADEIRO

Até 2021, a Petrobras havia recuperado R$ 6 bilhões em acordos e delações. Os recursos foram devolvidos à empresa, que é considerada vítima nos crimes investigados pela Operação Lava Jato.

 

“Quando nós negociamos passar o Bolsa Família para o Auxílio Brasil, na Câmara, toda a bancada do PT votou contra”

FALSO

Os deputados do PT votaram favoravelmente à Medida Provisória nº 1.076/2021, que instituiu o valor mínimo de R$ 400 para o Auxílio Brasil — substituto do Bolsa Família. De acordo com o site da Câmara dos Deputados, o partido recomendou a aprovação da proposta e todos os seus parlamentares votaram a favor da medida.

Ao todo, 426 parlamentares participaram desta votação. Na sessão realizada em 27 de abril, apenas os deputados federais do Novo votaram contra. Ao todo, a proposta teve 418 votos a favor da MP e 7 contra.

 

“Lula defendia que [se] roubasse celular para tomar uma cervejinha”

FALSO

A frase de Bolsonaro se refere a um vídeo que a Lupa já desmentiu. As imagens foram editadas para dar a entender que o ex-presidente Lula apoiava o roubo de celulares para que os ladrões pudessem “tomar uma cervejinha”, mas isso é falso.

A declaração original foi dada por Lula durante coletiva de imprensa em 25 de agosto de 2017. Lula disse: “Para que [uma pessoa] roubar um celular? Para vender. Para ganhar um dinheirinho. Então eu penso que essa violência que está em Pernambuco é causada pela desesperança”. Logo depois, ele fez uma metáfora sobre o ódio no país, usando times locais: “O ódio está disseminado no país. (…) É preciso distensionar, para a sociedade perceber que a torcida do Santa Cruz e do Sport não são inimigas, são adversárias durante o jogo. Depois vão para o bar tomar uma cerveja junto”.

Essas frases foram editadas para parecer que estavam relacionadas, quando, na verdade, não estavam.

 

“Só a Petrobras, o endividamento foi R$ 900 bilhões no seu governo [Lula]”

FALSO

De acordo com o Resultado Consolidado do 4º trimestre de 2010 da Petrobras (último período do governo Lula), o endividamento bruto da empresa era de R$ 117,91 bilhões (página 16). Esse valor hoje, corrigido pelo IPCA, equivaleria a R$ 240,36 bilhões. O número citado por Bolsonaro é quase quatro vezes o real.

 

“No corrente ano, não tivemos notícia de incêndios […] na Floresta Amazônica […]”

FALSO

Entre 1º de janeiro e 27 de setembro de 2022, 85.150 focos de incêndio foram registrados na Amazônia. É um patamar bem acima do registrado em 2018 (46.026), 2019 (65.727), 2020 (73.909) e 2021 (55.048). Os dados são da plataforma BDQueimadas, produzida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

 

“Somos o país que agora entrou na 10ª economia do mundo (…)”

VERDADEIRO

Ranking divulgado pela agência de classificação de risco Austin Rating, em junho deste ano, colocou o Brasil como a 10ª maior economia do mundo, com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 1,83 trilhão no 1º trimestre deste ano. À frente do país estão Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, Índia, Reino Unido, França, Canadá e Itália.

 

“[Somos o país] (…) que menos emite gás CO2 [entre as 10 maiores economias do mundo]”

FALSO

O Brasil tem o quarto maior acúmulo no mundo entre 1850 e 2021 de emissão de dióxido de carbono (CO2), um dos gases responsáveis pelo aquecimento do planeta. No topo do ranking de maiores poluidores estão Estados Unidos, China e Rússia.

Outros países que estão listados entre as maiores economias do mundo possuem um acumulado de emissão de CO2 menor que o Brasil, é o caso de Alemanha, Reino Unido, Índia, Japão, Canadá, França e Itália.

Dados de emissão de CO2, de 2020 (clique em “chart view”), indicam que o Brasil ficou na 12ª colocação como maior emissor do planeta, à frente de Reino Unido (17º), Itália (18º) e França (21º).

 

“PIB caiu no mundo todo, em média 9%. Caiu 9% por causa da pandemia”

FALSO

Em 2020, primeiro ano da pandemia, o Produto Interno Bruto (PIB) mundial caiu 3,3%, de acordo com dados do Banco Mundial. No ano seguinte, 2021, o PIB mundial teve alta de 5,8%. Isso representa uma alta de 2,3% neste período de dois anos. Segundo o IBGE, no Brasil, o PIB caiu mais em 2020 (-3,9%) e cresceu menos em 2021 (4,6%) — o que representa um crescimento de 0,5% no total.

 

“Nunca fiz contato com a senhora [Soraya Thronicke]. Usurpou do meu nome para se candidatar e chegar ao Senado por Mato Grosso do Sul”

FALSO

Nas eleições de 2018, Bolsonaro gravou um vídeo ao lado de Soraya Thronicke (União Brasil) pedindo voto para ela e dizendo que era “a nossa candidata ao Senado”. A gravação foi compartilhada pela senadora no Facebook em 1º de setembro de 2018.

Foto: Reprodução/TV Globo

Ciro Gomes

“Seis milhões de empresas estão no Serasa […]”

VERDADEIRO

Dados da Serasa Experian mostram que, em junho deste ano, 6,2 milhões de empresas estavam inadimplentes no Brasil. O número representa um crescimento de 6,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando havia 5,9 milhões nessa condição.

 

“O desemprego chegou perto de 12% ao fim desses 14 anos [governo PT]”

VERDADEIRO

No último mês de mandato da presidente Dilma Rousseff (PT), a taxa de desemprego bateu 11,2% no trimestre encerrado em maio de 2016, quando a petista foi afastada do cargo.

 

“66 milhões de pessoas endividadas”

VERDADEIRO

O Brasil tem um total de 66,82 milhões de pessoas endividadas. Esse dado consta no mais recente disponível levantamento “Mapa da inadimplência e renegociação de dívidas no Brasil”, divulgado em junho pelo Serasa.

 

“[Ceará] tem hoje 87 das 100 melhores escolas públicas do Brasil”

VERDADEIRO

O dado citado por Ciro é verdadeiro, mas reflete somente um dos três ciclos avaliados pelo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) na edição de 2021 — cujos dados foram publicados em 16 de setembro.

No chamado ciclo inicial do Ensino Fundamental, de 102 escolas públicas com nota superior a 8,7 — não é possível precisar as 100 melhores porque várias escolas estão empatadas com nota 8,7—, 88 estão localizadas no Ceará.
Nos outros dois ciclos, o número de escolas cearenses é significativo, mas não é tão alto.

No ciclo final do Ensino Fundamental, são 114 escolas com nota superior a 7,2. 75 ficam no Ceará. Já no Ensino Médio, são 121 instituições com nota acima de 6,1. 24 delas estão localizadas no estado. Veja a lista das melhores escolas públicas aqui.

 

“14 milhões de jovens brasileiros hoje estão desempregados e sem educação […] nem estuda nem tem oportunidade de trabalhar”

EXAGERADO

Dados mais recentes, divulgados em janeiro de 2022 pela consultoria IDados, mostram que o número de jovens que não estudam nem trabalham era de 12,3 milhões até o segundo trimestre de 2021. Isso equivale a 30% da população dessa faixa etária. O dado citado por Ciro é 13,8% maior, por isso a afirmação foi classificada como exagerada.

A pesquisa realizada pela iDados mostrou aumento em relação aos dados divulgados em 2019 pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, suplemento Educação, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento feito em 2018 pelo instituto mostrou que, naquele ano, cerca de 10,9 milhões de jovens de 15 a 29 anos não estavam ocupados no mercado de trabalho nem estudando.