Vale do Paraíba: Tarifa de 25% dos EUA pode afetar cerca de R$ 2 bilhões em exportações da região
A nova tarifa de 25% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros pode impactar aproximadamente R$ 2 bilhões em exportações do Vale do Paraíba. O cálculo considera os produtos da região incluídos na lista divulgada pelo governo norte-americano na quarta-feira (15).
A medida foi adotada após recomendação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e marca o encerramento da investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, iniciada em julho de 2025.

Segundo dados do governo federal, 14 das 21 cidades do Vale do Paraíba que realizaram exportações no primeiro semestre de 2026 comercializaram produtos incluídos na nova lista tarifária.
Entre os itens que poderão ser atingidos estão:
- Vestuário;
- Máquinas e equipamentos elétricos;
- Calçados;
- Papel;
- Açúcar orgânico;
- Produtos químicos.
No primeiro semestre deste ano, esses segmentos movimentaram cerca de US$ 387,4 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 2 bilhões, considerando a cotação atual do dólar.
Vale destacar que nem todas as empresas exportaram esses produtos para os Estados Unidos no período, mas poderão ser impactadas caso mantenham ou iniciem operações destinadas ao mercado norte-americano.
Principais exportações da região ficaram fora da lista
Apesar do impacto potencial, parte dos principais produtos exportados pelo Vale do Paraíba não foi incluída na nova tarifa.
Entre os segmentos que ficaram de fora estão:
- Aeronaves;
- Combustíveis;
- Metais.
Esses produtos representam uma parcela significativa da pauta exportadora regional.
As novas tarifas têm previsão de entrar em vigor na próxima quarta-feira (22). Autoridades dos Estados Unidos informaram, no entanto, que as negociações entre os dois países continuam abertas.
Entenda a investigação
A investigação conduzida pelo USTR teve início em julho de 2025 e analisou práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos.
Entre os temas avaliados estiveram:
- Tarifas brasileiras sobre a importação de etanol;
- Questionamentos relacionados ao sistema de pagamentos Pix;
- Outros assuntos ligados às relações comerciais entre os dois países.
Governo brasileiro reage
Em nota oficial, o Governo Federal informou que discorda da decisão norte-americana e anunciou que dará início aos procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, que estabelece mecanismos para responder a medidas comerciais adotadas por outros países.
Segundo o governo, a legislação poderá embasar eventuais medidas em resposta às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Brasil passa a figurar entre os países mais tarifados
Com a nova medida, o Brasil passa a ocupar a segunda posição entre os países mais tarifados pelos Estados Unidos, ficando atrás apenas da China, segundo levantamento citado pela imprensa internacional.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) já havia informado anteriormente que as novas tarifas poderiam atingir cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.
