Vale do Paraíba: região foi cenário de batalhas decisivas na Revolução Constitucionalista de 1932
Neste 9 de julho, data que celebra os 94 anos da Revolução Constitucionalista de 1932, o Vale do Paraíba relembra sua participação em um dos episódios mais marcantes da história brasileira. Durante o conflito, a região foi palco de confrontos estratégicos, bombardeios, combates aéreos e mobilizou personagens que tiveram papel importante no movimento constitucionalista.
A Revolução Constitucionalista teve início em 9 de julho de 1932 e foi liderada pelo estado de São Paulo, com o objetivo de pressionar o governo provisório de Getúlio Vargas pela convocação de uma Assembleia Constituinte e pela elaboração de uma nova Constituição. Ao longo de quase três meses de combates, o Vale do Paraíba ocupou posição estratégica no conflito.

Entre os municípios que marcaram a história da Revolução está Cunha, onde ocorreu o primeiro confronto entre tropas constitucionalistas e militares enviados pelo governo federal. A cidade tornou-se uma das principais frentes de batalha e permanece como símbolo da resistência paulista.
Outro episódio de destaque aconteceu em Cachoeira Paulista, que sofreu o primeiro bombardeio aéreo realizado pelas forças governistas durante a guerra.
Já Cruzeiro entrou para a história por sediar aquele que é considerado o primeiro combate aéreo registrado no Brasil, reforçando a importância estratégica da região durante o conflito.
Além disso, Lorena e Guaratinguetá também foram atingidas por ataques aéreos, evidenciando a intensidade dos combates no Vale do Paraíba.
Túnel da Mantiqueira foi um dos principais pontos estratégicos
Um dos cenários mais emblemáticos da Revolução foi o Túnel da Mantiqueira, localizado na divisa entre Cruzeiro (SP) e Passa Quatro (MG). A estrutura ferroviária, com aproximadamente um quilômetro de extensão, era considerada fundamental por conectar os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
No local ocorreram alguns dos confrontos mais intensos da guerra. Estimativas históricas apontam que mais de 200 pessoas morreram na disputa pelo controle da passagem ferroviária, transformando o túnel em um dos maiores símbolos da resistência paulista.
Foi também nessa região que o então jovem médico Juscelino Kubitschek, décadas antes de assumir a Presidência da República, atuou prestando atendimento aos combatentes envolvidos nos confrontos.
Joséense está entre os mártires da Revolução
O Vale do Paraíba também está diretamente ligado ao surgimento do movimento constitucionalista. Um dos quatro estudantes mortos durante os confrontos de 23 de maio de 1932, na capital paulista, foi Euclides Miragaia, natural de São José dos Campos.
As mortes deram origem ao movimento MMDC, posteriormente chamado de MMDCA, cuja sigla homenageia Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, considerados mártires da causa constitucionalista.
A repercussão do episódio fortaleceu a mobilização popular que culminaria no início da Revolução semanas depois.
Monteiro Lobato apoiou o movimento paulista
Entre os apoiadores da Revolução estava o escritor Monteiro Lobato, nascido em Taubaté. Defensor da causa constitucionalista, ele incentivou a participação da população e teve um de seus filhos alistado nas forças paulistas durante o conflito.
A atuação do escritor demonstra como a mobilização ultrapassou o ambiente militar e envolveu diferentes segmentos da sociedade paulista.
Aparecida e Guaratinguetá também tiveram participação histórica
A religiosidade também marcou o período da Revolução. Em Aparecida, foi criado o chamado Batalhão Nossa Senhora Aparecida, formado por voluntários que participaram da defesa da causa constitucionalista.
Durante os ataques aéreos à cidade, a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi escondida em um local subterrâneo como medida de proteção. Antes e depois das batalhas, combatentes visitavam o santuário em busca de apoio espiritual. Em determinado momento do conflito, a imagem chegou a ser levada para São Paulo, retornando após o encerramento da guerra.
Já em Guaratinguetá, um grupo de voluntários recebeu o nome de Batalhão Frei Galvão, em homenagem ao religioso que posteriormente seria reconhecido como o primeiro santo brasileiro. Segundo registros históricos, nenhum integrante da unidade morreu durante os confrontos na Serra da Mantiqueira.
Movimento deixou legado para a história do Brasil
Embora tenha sido derrotada militarmente, a Revolução Constitucionalista de 1932 é considerada um marco na luta pela reorganização institucional do país. A mobilização contribuiu para a convocação da Assembleia Constituinte de 1933, que resultou na promulgação da Constituição de 1934.
Décadas depois, cidades do Vale do Paraíba preservam monumentos, memoriais e locais históricos que mantêm viva a memória da participação da região em um dos acontecimentos mais importantes da história brasileira.
