setembro 2, 2026

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Vacina contra covid-19 totalmente nacional começa a ser testada em humanos

A SpiN-Tec, primeira vacina contra a Covid-19 desenvolvida com tecnologia e insumos totalmente nacionais, começou a ser testada em humanos. O imunizante foi desenvolvido no centro de tecnologia de vacina, da Universidade Federal de Minas Gerais, em parceria com a Fiocruz, a Fundação Oswaldo Cruz.

Foto: Divulgação

O Governo Federal informou que investiu R$ 16 milhões nos estudos para a produção da vacina brasileira, que também contou com recursos do Governo do Estado.

“Uma palavra chave é a convergência com um mesmo propósito: criar uma solução. A gente tem muito orgulho de ser uma solução brasileira feita por brasileiros e que chegará ao mercado por brasileiros, gerando conhecimento, riqueza, postos de trabalho e qualidade de vida para o nosso povo, com transbordamento para outras nações com certeza. Isso é legado. A vacina traz um legado muito significativo. É do país”, disse o ministro da Ciência, tecnologia e inovações, Paulo Alvim.

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Os testes clínicos serão realizados em 3 fases. As duas primeiras irão ocorrer em Belo Horizonte. A primeira com 72 voluntários e a segunda com 370.

Após a conclusão das fases 1 e 2, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) irá avaliar os relatórios para autorizar a terceira e última etapa dos testes. Nesta etapa, serão reunidos de 4 a 5 mil voluntários de várias regiões do Brasil.

Mecanismo de ação

As pesquisas para o desenvolvimento da vacina foram iniciadas em novembro de 2020. O antígeno (substância que desencadeia a produção de anticorpos) da SpiN-Tec MCTI UFMG inclui duas proteínas do vírus SARS-CoV-2, causador da covid-19. Uma é a proteína Spike (S) e a outra é o nucleocapsídeo (N), o que explica o nome SpiN.

“As vacinas de covid-19 em uso geram respostas de anticorpos neutralizantes. Já a SpiN-Tec MCTI UFMG foi desenvolvida para induzir resposta dos linfócitos-T, ou seja, ela gera uma resposta contra várias partes da molécula do vírus, e não apenas contra um de seus segmentos, como ocorre com as vacinas atuais”, explica Ricardo Gazzinelli, coordenador do projeto e do CTVacinas da UFMG, também pesquisador da Fiocruz.

Por essa particularidade, os pesquisadores acreditam que a SpiN-Tec MCTI UFMG seja mais efetiva que as vacinas atualmente disponíveis no Brasil contra variantes do SARS-CoV-2, como a Ômicron e subvariantes. O imunizante também tem alta estabilidade, o que possibilita que seja mantida a 4°C, como outras vacinas, e facilita a distribuição para lugares longínquos.

A SpiN-Tec MCTI UFMG representa um legado para o desenvolvimento de imunizantes contra outras doenças no Brasil. Isso é possível porque as tecnologias desenvolvidas durante as pesquisas com a SpiN-Tec MCTI UFMG podem ser adaptadas para vacinas que combatem outros agentes causadores de doenças.

Financiamento

O desenvolvimento da vacina foi financiado pela RedeVírus do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações que, em 2020, apoiou com recursos financeiros dez projetos nacionais de desenvolvimento de vacinas contra a covid-19, com 15 diferentes estratégias.

Além do financiamento do MCTI, os testes clínicos da vacina SpiN-Tec MCTI UFMG receberam recursos da Prefeitura de Belo Horizonte, que repassou R$ 30 milhões. Parlamentares da bancada mineira no Congresso Nacional e da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizaram o aporte de cerca de R$ 20 milhões para a fase 3 dos testes clínicos. Além disso, a ALMG repassou outros R$ 30 milhões oriundos do acordo firmado entre o Estado de Minas Gerais e a Vale (Lei 23.830, de 28/07/2021), destinado à reparação de danos socioeconômicos e ambientais decorrentes do rompimento da Barragem de Brumadinho, em janeiro de 2019.

O projeto de desenvolvimento da vacina SpiN-Tec MCTI UFMG também contou com recursos das fundações de amparo à pesquisa dos estados de Minas Gerais e de São Paulo (Fapemig e Fapesp). Colaboraram, ainda, a Fundação Ezequiel Dias (Funed), o Laboratório Nacional de Biociências (LNBIO), o Centro de Inovação e Ensaios Pré-Clínicos (Cienp) e o Laboratório Cristália.

Centro Nacional de Vacinas

Por meio de parceria firmada pela UFMG com o MCTI, o CTVacinas será transformado em um centro nacional de vacinas, com recursos que totalizam R$ 80 milhões. A ideia é que o local seja um hub para o desenvolvimento de projetos de inovação nas áreas de imunizantes – incluindo novas plataformas vacinais, de kits diagnósticos e de fármacos, com foco na transferência tecnológica para empresas e instituições que atuem no mercado de saúde. Pesquisadores que trabalham com o desenvolvimento de imunizantes em todo o território nacional poderão utilizar a estrutura.