Taubaté: Homem é preso suspeito de matar amigo e tentar incendiar carro para apagar vestígios
Um homem de 30 anos foi preso em flagrante suspeito de matar o amigo de 51 anos e tentar incendiar um carro para destruir vestígios do crime, em Taubaté. O caso aconteceu na noite de terça-feira (20), em um imóvel no bairro Belém, e é investigado pela Polícia Civil como latrocínio, crime de roubo seguido de morte, além de fraude processual e tráfico de drogas.
Segundo a investigação, o suspeito enfrentava dificuldades financeiras e pretendia se apoderar de veículos ou peças que pertenciam à vítima. Após o homicídio, ele teria colocado o corpo em um automóvel e iniciado um incêndio para dificultar a apuração.

Polícia encontrou suspeito perto de galpão
A Polícia Militar foi acionada às 20h04 para atender a uma ocorrência de disparos de arma de fogo na Rua Osvaldo de Andrade Junqueira. No endereço, moradores indicaram o imóvel de onde teriam partido os tiros.
Ao entrar no local, os policiais encontraram o suspeito agachado próximo à entrada de um galpão. Ele obedeceu à ordem de abordagem e foi algemado.
Conforme o boletim de ocorrência, o homem admitiu ter matado a vítima e informou que o corpo estava dentro de um carro.
Nas proximidades, os agentes apreenderam um revólver Taurus calibre .22, com cinco munições intactas e uma deflagrada, além de uma mochila com roupas manchadas de sangue. Segundo o registro policial, as peças seriam do suspeito, que teria trocado de roupa e vestido roupas da vítima.
Corpo foi encontrado em carro com princípio de incêndio
Durante a vistoria no imóvel, os policiais localizaram um Renault Sandero branco com princípio de incêndio. Os próprios agentes controlaram as chamas e encontraram o corpo da vítima no interior do veículo.
O homem apresentava quatro perfurações compatíveis com disparos de arma de fogo e outros ferimentos aparentemente provocados por um objeto cortante.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito teria colocado o corpo no automóvel e iniciado o incêndio pouco antes da chegada dos policiais. A principal hipótese investigada é que a ação pretendia destruir vestígios e dificultar a identificação das circunstâncias do crime.
O Instituto de Criminalística foi acionado para realizar a perícia. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Taubaté. Os laudos devem contribuir para esclarecer a dinâmica do homicídio, os ferimentos e as circunstâncias do incêndio.
Suspeito apresentou versões diferentes sobre a motivação
Em um primeiro relato aos policiais, o homem afirmou que foi ao imóvel para cobrar uma suposta dívida relacionada a drogas. Segundo essa versão, os dois entraram em luta corporal, e ele efetuou quatro disparos contra a vítima. Depois, teria usado uma faca encontrada no local para golpeá-la.
Durante o interrogatório, porém, conforme o registro policial, o investigado teria relatado que enfrentava dificuldades financeiras e pretendia roubar veículos ou peças pertencentes ao amigo.
Os dois se conheciam e mantinham uma relação de amizade. De acordo com a autoridade policial, os indícios de intenção de subtrair bens fundamentaram o enquadramento inicial do caso como latrocínio. A hipótese de uma dívida relacionada a drogas também será considerada na investigação.
O suspeito teria afirmado ainda que voltou a municiar o revólver depois dos disparos.
Polícia apreende cerca de 1,6 quilo de maconha
Após a prisão, os policiais perguntaram ao homem se havia drogas na casa dele, localizada na Estrada Municipal do Barreiro, também em Taubaté. Segundo o boletim de ocorrência, ele confirmou que mantinha entorpecentes no imóvel e acompanhou a equipe até o endereço.
Na cozinha, dentro de uma geladeira, foram encontradas sete porções de maconha, com peso aproximado de 1,5 quilo. Os policiais também apreenderam uma balança, um rolo de filme plástico, duas facas, munições e um caderno com anotações que podem estar relacionadas à comercialização de drogas.
Durante a perícia, outros dois invólucros com substância vegetal semelhante à maconha foram encontrados na mochila do suspeito. O material pesava 21,73 gramas.
Ao todo, a apreensão chegou a aproximadamente 1,596 quilo de substância semelhante à maconha.
Conforme o registro policial, o homem admitiu vender entorpecentes. A quantidade apreendida, os objetos e as anotações foram considerados indícios de tráfico de drogas. Celulares relacionados ao suspeito e à vítima também foram recolhidos.
Polícia Civil pede prisão preventiva
A Polícia Civil manteve a prisão em flagrante pelos crimes de latrocínio, fraude processual e tráfico de drogas. O suspeito não teve direito à fiança na esfera policial e foi encaminhado ao Centro de Triagem da Cadeia Pública de Taubaté, onde permaneceu à disposição da Justiça.
O delegado solicitou a conversão da prisão em flagrante em preventiva. Entre os fundamentos apresentados estão a gravidade do caso, o uso de arma de fogo, a tentativa de destruir vestígios e os indícios de comércio de entorpecentes.
A Polícia Civil também pediu autorização judicial para acessar os dados dos celulares apreendidos. A análise poderá contribuir para esclarecer a motivação do crime, a possível existência de dívidas e eventuais transações ou contatos relacionados ao caso.
A investigação segue em andamento, com exames periciais no local, na arma, nos vestígios do incêndio e no corpo da vítima.
