São Paulo: Filha de PM morta será ouvida em etapa que pode levar coronel acusado de feminicídio a júri popular
A Justiça de São Paulo iniciou a fase de instrução do processo que pode levar o tenente-coronel Geraldo Neto a julgamento em júri popular pela morte da esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Coelho da Silva.
Entre as testemunhas previstas nesta etapa está a filha do casal, uma criança de 7 anos, que deverá prestar depoimento por meio do chamado “depoimento especial”, procedimento utilizado para ouvir crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência.
As audiências foram agendadas pela 5ª Vara do Júri da Capital e acontecerão entre os dias 29 de junho e 3 de julho.

Cerca de 40 testemunhas devem ser ouvidas
Segundo a decisão judicial, aproximadamente 40 pessoas devem prestar depoimento durante os cinco dias de audiências. A lista inclui delegados, peritos, policiais militares, testemunha protegida, familiares da vítima e o próprio coronel, que será interrogado no encerramento da fase de instrução.
De acordo com o documento, a divisão das oitivas em várias datas ocorreu devido ao grande número de testemunhas e à “complexidade da produção probatória”.
Coronel é acusado de matar esposa e simular suicídio
O tenente-coronel Geraldo Neto, natural de Taubaté e morador de São José dos Campos, responde pelos crimes de feminicídio e fraude processual.
Segundo a acusação, ele teria matado a esposa, de 32 anos, com um tiro na cabeça no dia 18 de fevereiro de 2026. A investigação aponta ainda que o oficial teria alterado a cena do crime para simular um suicídio.
O caso ganhou repercussão após a decretação da prisão preventiva do coronel, em março deste ano, durante o andamento do inquérito policial.
Perícia recuperou mensagens apagadas
Durante as investigações, a perícia realizou análise em aparelhos celulares apreendidos no caso e recuperou mensagens atribuídas à soldado Gisele que, segundo os investigadores, haviam sido apagadas.
O conteúdo passou a integrar os elementos analisados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público no processo que apura a morte da policial militar.
