julho 27, 2026

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São José dos Campos: Justiça afasta instrutor de artes marciais após denúncias de importunação sexual contra alunas

A Justiça determinou o afastamento de um instrutor de artes marciais de São José dos Campos após denúncias de importunação sexual feitas por alunas, entre elas adolescentes.

O caso, divulgado inicialmente pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, foi confirmado nesta segunda-feira (27).

Segundo a Defensoria Pública, oito alunas denunciaram o instrutor, sendo cinco adolescentes. Os relatos apontam episódios de toques físicos, comentários inadequados, olhares considerados invasivos e aproximações indevidas durante as atividades esportivas.

Imagem: Reprodução

O profissional atuava em uma academia que tem parceria com a Prefeitura por meio do programa Atleta Cidadão.

De acordo com o defensor público Júlio Camargo de Azevedo, as denúncias indicam que as condutas teriam ocorrido de forma recorrente e envolvendo diferentes vítimas.

“As violências caracterizavam toques físicos, olhares lascivos, aproximações indevidas, comentários jocosos, que iam sendo praticados com vítimas variadas”, afirmou o defensor.

Justiça mantém afastamento e impõe medidas protetivas

A primeira decisão de afastamento do instrutor foi expedida em 10 de junho. Posteriormente, uma liminar publicada em 21 de julho manteve a medida e determinou uma série de medidas protetivas em favor das vítimas.

Entre as determinações, o profissional está proibido de se aproximar das denunciantes e de seus familiares.

A decisão também estabelece que a academia não poderá impedir a presença de pais ou responsáveis durante as aulas, nem restringir o uso de celulares pelas atletas para registrar imagens das atividades.

Além disso, a Justiça determinou que a Prefeitura de São José dos Campos acompanhe a situação, fiscalize a academia parceira e ofereça atendimento psicológico às vítimas identificadas.

Segundo a Defensoria Pública, as medidas têm como objetivo interromper uma situação de violência de gênero e prevenir novos casos.

“A Defensoria Pública buscou nessa ação foi dizer: esse é um caso de violência de gênero que ocorre de uma maneira sistemática e que afeta um grupo de mulheres e meninas, jovens atletas de São José, mas que afeta também as futuras atletas de São José, se esse instrutor, por exemplo, permanecesse ali exercendo cotidianamente suas atividades”, declarou Júlio Camargo de Azevedo.

Posicionamento das partes

Em nota, a Prefeitura de São José dos Campos informou que ainda não havia sido intimada oficialmente da decisão judicial.

A defesa do instrutor afirmou que não comentará o caso por tramitar em segredo de Justiça.

Até a publicação desta reportagem, a academia não havia se manifestado. O espaço permanece aberto para posicionamento.

Para preservar a identidade das vítimas — parte delas adolescentes —, a reportagem não divulga os nomes dos envolvidos nem identifica o local onde os fatos teriam ocorrido, em conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).