São José dos Campos: Ex-auditor acusado de receber R$ 383 milhões em fraude supostamente bancava amante com R$ 100 mil por mês, diz MP
O ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, de São José dos Campos, foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo sob acusação de integrar um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo créditos de ICMS. Segundo a investigação, ele teria recebido cerca de R$ 383,6 milhões em propinas ligadas ao esquema.
A denúncia foi apresentada pelo Gedec (Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos) e protocolada na 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital. Até o momento, a Justiça ainda analisa se aceita a acusação formal.

Investigação aponta movimentação superior a R$ 1 bilhão
De acordo com o Ministério Público, a organização criminosa teria movimentado mais de R$ 1 bilhão por meio de créditos tributários fraudulentos que beneficiariam grandes empresas.
Entre os denunciados aparecem empresários, ex-servidores públicos e pessoas ligadas ao auditor fiscal. Um dos nomes citados na investigação é o empresário Sidney Oliveira, fundador da rede Ultrafarma. A empresa nega envolvimento em irregularidades.
MP cita repasses milionários e despesas de luxo
Segundo os promotores, Artur teria transferido aproximadamente R$ 5,1 milhões para Francisco de Carvalho Neto, apontado na investigação como companheiro do ex-auditor.
O Ministério Público afirma que o investigado também custeava despesas pessoais e pagamentos mensais elevados, que poderiam chegar a R$ 100 mil. Durante a Operação Ícaro, Francisco confirmou aos investigadores que recebia valores classificados como “honorários”.
As investigações ainda apontam que imóveis registrados em nome de terceiros teriam sido adquiridos com recursos supostamente ligados ao esquema.
Empresa da família teria sido usada nas operações
Conforme a denúncia, Artur utilizaria a empresa Smart Tax, registrada em nome de sua mãe, Kimio Mizukami da Silva, para emissão de notas fiscais consideradas frias e movimentação financeira ligada às operações investigadas.
O Ministério Público sustenta que o grupo manipulava créditos de ICMS, ampliando valores e acelerando liberações fiscais para empresas do setor varejista.
Além de Artur, também foram denunciados familiares, funcionárias ligadas ao ex-auditor e o auditor fiscal Marcelo de Almeida Gouveia, suspeito de colaborar com o esquema dentro da estrutura tributária estadual.
Operação Ícaro revelou o caso
O caso veio à tona durante a Operação Ícaro, deflagrada pelo Ministério Público em agosto do ano passado. Na ocasião, empresários e auditores fiscais chegaram a ser presos temporariamente.
Outro nome citado na denúncia é o ex-fiscal Alberto Toshio Murakami, considerado foragido pela Justiça. Segundo o MP, ele possui um imóvel de alto padrão avaliado em cerca de R$ 7 milhões nos Estados Unidos.
Ex-aluno do ITA ocupou cargos estratégicos
Antes das acusações, Artur Gomes da Silva Neto era considerado um nome de destaque no serviço público estadual. Ex-aluno do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), ele ocupou funções estratégicas na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.
Agora, é apontado pelo Ministério Público como um dos principais envolvidos em um dos maiores esquemas de fraude tributária investigados recentemente no estado.
As defesas dos denunciados não haviam sido localizadas até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.
