agosto 1, 2026

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Quem são os 4 policiais mortos na operação mais letal da história do Rio de Janeiro

Quatro policiais — dois civis e dois militares — morreram nesta terça-feira (28) durante a megaoperação das forças de segurança nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A ação, que faz parte da Operação Contenção, é considerada a mais letal da história do estado, com mais de 120 mortos até o momento.

De acordo com o balanço oficial do governo fluminense, 64 mortes haviam sido confirmadas até a noite de terça. Já nesta quarta (29), moradores da Penha levaram mais de 60 corpos até a Praça São Lucas — muitos deles encontrados em uma área de mata —, o que pode elevar o número total de vítimas.

Imagem: Reprodução

O secretário da PM, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, confirmou que esses corpos não fazem parte da contagem oficial.

Ao todo, 81 pessoas foram presas, segundo a Secretaria de Segurança. A operação mobilizou 2.500 agentes de diferentes forças policiais.

Entre os feridos está o delegado-adjunto da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), Bernardo Leal, que foi baleado e passou por cirurgia. Seu estado de saúde é considerado grave.


⚫ Policiais mortos na operação

  • Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, 51 anos — conhecido como Máskara, comissário da 53ª DP (Mesquita);

  • Rodrigo Velloso Cabral, 34 anos — policial civil da 39ª DP (Pavuna);

  • Cleiton Serafim Gonçalves, 42 anos — 3º sargento do Bope;

  • Heber Carvalho da Fonseca, 39 anos — 3º sargento do Bope.

Segundo a Polícia Civil, Marcus Vinícius e Rodrigo Cabral foram atingidos logo na chegada das equipes ao Complexo da Penha, quando criminosos do Comando Vermelho reagiram à entrada dos agentes com tiros e barricadas em chamas. Eles chegaram a ser levados ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, mas não resistiram aos ferimentos.

Os sargentos Cleiton Serafim e Heber Fonseca, ambos do Bope, também foram baleados durante confrontos na Vila Cruzeiro. Eles foram socorridos e levados ao mesmo hospital, mas morreram em atendimento.

Cleiton, policial desde 2008, era casado e deixa esposa e uma filha. Heber ingressou na corporação em 2011 e deixa esposa, dois filhos e um enteado.

Em nota, a PM e o Bope lamentaram as mortes e destacaram o “comprometimento, coragem e lealdade” dos agentes.


👮 Histórias e trajetórias

Marcus Vinícius Cardoso, o Máskara, tinha 26 anos de carreira na Polícia Civil e havia sido promovido a comissário na véspera da operação. Entrou na corporação em 1999, na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), onde ganhou o apelido em referência ao personagem do filme estrelado por Jim Carrey. Ele também trabalhou na 18ª DP (Praça da Bandeira) e chefiava o setor de investigações da 53ª DP (Mesquita).

Rodrigo Velloso Cabral estava na polícia havia menos de dois meses, lotado na 39ª DP (Pavuna), uma das regiões mais violentas da Zona Norte.


🔫 Detalhes da megaoperação

A operação foi deflagrada após mais de um ano de investigações da DRE e tinha como alvo 100 mandados de prisão contra lideranças do Comando Vermelho. Foram apreendidos 93 fuzis, além de pistolas, drogas e motocicletas.

Durante os confrontos, criminosos lançaram explosivos com drones, incendiaram barricadas e bloquearam vias importantes, como a Linha Amarela, a Grajaú-Jacarepaguá e a Rua Dias da Cruz, no Méier.

A Prefeitura informou que todas as vias foram liberadas na manhã desta quarta (29), após mais de 12 horas de bloqueios.

Além dos policiais mortos, três civis foram baleados — um homem em situação de rua, uma mulher em uma academia e outro homem em um ferro-velho. Todos foram socorridos.

Helicópteros, blindados e drones foram usados no cerco, que suspendeu as aulas em 43 escolas e o funcionamento de cinco unidades de saúde na região.

Entre os presos estão Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão do Quitungo, e Nicolas Fernandes Soares, operador financeiro do traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso, apontados como nomes de destaque na facção.