Mundo: Senado dos EUA aprova projeto para derrubar tarifas de Trump contra produtos brasileiros
O Senado dos Estados Unidos aprovou na noite de terça-feira (28) um projeto de lei que propõe o fim das tarifas impostas ao Brasil pelo presidente Donald Trump sobre produtos como café, petróleo e suco de laranja. A medida, apresentada pelo senador democrata Tim Kaine, da Virgínia, segue agora para a Câmara dos Representantes, onde enfrenta grandes chances de ser barrada pela maioria republicana.
Segundo Kaine, a votação teve caráter simbólico e busca pressionar o governo americano a revisar sua política tarifária, que, segundo ele, causou “impactos econômicos significativos” tanto nos EUA quanto em países parceiros. O texto também prevê a revogação do estado de emergência nacional declarado por Trump, mecanismo que permitiu a aplicação de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros desde agosto.

A iniciativa ocorre em meio à reaproximação diplomática entre Brasil e Estados Unidos. No último domingo (26), os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump conversaram por cerca de 45 minutos por videoconferência, marcando um novo capítulo nas negociações comerciais entre os dois países.
Durante o encontro, os líderes concordaram em iniciar um processo formal de negociação bilateral. Já na segunda-feira (27), representantes comerciais das duas nações realizaram a primeira reunião, com foco em setores mais afetados pelas tarifas — como o de alimentos e combustíveis.
“O que interessa é olhar para o futuro. A gente não quer confusão, quer resultado”, disse Lula. Trump, por outro lado, reconheceu o “bom diálogo”, mas ponderou que um acordo imediato é improvável: “Eles querem um acordo. Vamos ver. Hoje pagam cerca de 50% de tarifa”, declarou.
Participaram das conversas o chanceler Mauro Vieira, o secretário-executivo do MDIC, Márcio Rosa, e o embaixador Audo Faleiro. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, ainda não há data definida para a próxima rodada de negociações.
Lula afirmou que “não existem temas proibidos” na mesa, indicando abertura para discutir desde minerais críticos até açúcar e etanol. O governo brasileiro também defende a suspensão temporária das tarifas enquanto durar o diálogo bilateral — medida já aplicada pelos EUA em negociações com México e Canadá.
O Palácio do Planalto contesta a justificativa americana para as taxas. Em documento entregue a Trump, o governo brasileiro destacou que, nos últimos 15 anos, os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 410 bilhões na balança comercial com o Brasil — argumento usado por Brasília para pedir uma revisão imediata das medidas.
