julho 25, 2026

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Jean-Luc Godard, cineasta francês pioneiro da Nouvelle Vague, morre aos 91 anos

O diretor de cinema Jean-Luc Godard, pioneiro do cinema francês do movimento Nouvelle Vague que ultrapassou os limites cinematográficos e inspirou diretores iconoclastas décadas depois de seu auge nos anos 1960, morreu nesta terça-feira (13) aos 91 anos, disseram sua família e produtores.

Foto: REUTERS/Vincent Kessler

Godard estava entre os diretores mais aclamados do mundo, conhecido por clássicos como “Acossado” e “O Desprezo”, que romperam com a convenção e ajudaram a dar início a uma nova maneira de fazer cinema, com trabalho de câmera portátil, cortes de salto e diálogo existencial.

“Jean-Luc Godard morreu pacificamente em casa, cercado por entes queridos”, disseram sua esposa Anne-Marie Mieville e os produtores em um comunicado publicado por vários meios de comunicação franceses. Godard será cremado e não haverá cerimônia oficial, disseram.

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Godard não foi o único a criar a Nova Onda da França (Nouvelle Vague), um crédito que ele compartilha com pelo menos uma dúzia de colegas, incluindo François Truffaut e Eric Rohmer, a maioria deles amigos da moderna e boêmia Margem Esquerda de Paris no final dos anos 1950.

No entanto, ele se tornou o garoto-propaganda do movimento, que gerou ramificações no Japão, Hollywood e, mais improvável, na então Tchecoslováquia governada pelos comunistas, bem como no Brasil.

“Jean-Luc Godard, o cineasta mais iconoclasta da Nouvelle Vague inventou uma arte resolutamente moderna e intensamente livre. Estamos perdendo um tesouro nacional, um olhar de gênio”, tuitou o presidente Emmanuel Macron.

Quentin Tarantino, diretor dos filmes cult dos anos 1990 “Pulp Fiction” e “Cães de Aluguel”, está entre uma geração mais recente de cineastas que assumiu o manto da tradição de dobrar fronteiras iniciada por Godard e seus companheiros da Margem Esquerda de Paris.

Mais cedo veio Martin Scorsese em 1976 com “Taxi Driver”, o perturbador thriller psicológico iluminado por neon de um veterano do Vietnã que virou taxista que dirige pelas ruas a noite toda com uma obsessão crescente pela necessidade de limpar a decadente Nova York.

NOVA ONDA, NOVOS CAMINHOS

Godard nasceu em uma rica família franco-suíça em 3 de dezembro de 1930. Seu pai era médico, sua mãe era filha de um suíço que fundou o BNP Paribas, então um ilustre banco de investimentos.

Godard se envolveu com pessoas de mentalidade semelhante cuja insatisfação com filmes monótonos que nunca se afastaram das convenções semeou as sementes de um movimento separatista que veio a ser chamado de Nouvelle Vague.

Com sua abordagem mais direta e excêntrica do sexo, violência e suas explorações da contracultura, política anti-guerra e outros costumes em mudança, a Nouvelle Vague era sobre inovação na produção de filmes.

Godard foi um dos mais prolíficos de seus pares, produzindo dezenas de curtas e longas-metragens ao longo de mais de meio século a partir do final dos anos 1950.

“Às vezes a realidade é muito complexa. As histórias dão forma”, disse Godard.

Ele passou a dirigir filmes impregnados de política esquerdista e anti-guerra nos anos 1970, antes de retornar a um mainstream mais comercial. Trabalhos recentes, no entanto – entre eles “Adeus à Linguagem” em 2014 e “Imagem e Palavra” em 2018 – foram mais experimentais.

*Com informações de Agências Internaiconais