Imagem original de Nossa Senhora Aparecida recebe novo manto
A imagem original de Nossa Senhora Aparecida, que está no nicho do Santuário Nacional, recebeu um novo manto. A troca foi ocasionada pela doação de uma família de Aparecida, que graças às bênçãos alcançadas teve esse ato de gratidão.

A nova peça se difere da antiga por alguns aspectos, ela possui um bordado na parte dianteira que remete a ramos, pedras nas cores azuis, brancas, verdes e amarelas e acabamento reto.
“Parte dessa construção é feita com cristais amarelos lembrando as riquezas minerais do país, outra parte que acompanha todo o contorno do manto é feita em cristais verdes, representando a riqueza da nossa natureza, nossas florestas exuberantes e em comunhão com a Laudato Si, do Papa Francisco”, explica o Pe. Heliomarcos Ferraz, ecônomo-adjunto do Santuário Nacional.
Ainda de acordo com o Pe. Heliomarcos, não há o intuito de trocar o manto da Mãe Aparecida de forma periódica; o que motiva a mudança é a própria devoção a Ela.
“O manto na Bíblia tem uma diversidade enorme de significados, dentre eles o caráter virtuoso, a benignidade, o compromisso de serviço, a promoção da justiça. Certamente, Nossa Senhora nutriu em toda a sua vida essas características. A ideia não é trocar de manto periodicamente, mas ter esses mantos trabalhados com riqueza de detalhes dá toda a dignidade que a Nossa Senhora Aparecida merece”, explica o Padre.

A troca do manto de Nossa Senhora Aparecida ocorreu em uma celebração simples, e, como definiu o padre Heliomarcos, regada do “sentimento de gratidão, ofertado ao povo que tanto ama e cuida da casa de Nossa Senhora Aparecida”.
Fatos históricos
Ao longo da história da Padroeira do Brasil, a pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida sempre foi alvo de muitos estudos e pesquisas. Entre esses registros, um é bastante peculiar: os mantos que cobriram a Imagem ao longo dos últimos trezentos anos.
Algumas referências encontradas sobre os adereços colocados na imagem apontam como mais comuns o manto e a coroa, mas a Imagem já chegou a carregar grandes e pesados cordões em seu pescoço.
O inventário dos bens e alfaias sagradas do Santuário, com data de 5 de janeiro de 1750, cita um desses mantos utilizados pela imagem de Aparecida: “Um manto de carmesim com ramos de ouro aplicados no mesmo, doado por Francisco Soares Bernardes da cidade de Mariana, Minas Gerais” (cf. História de Nossa Senhora da Conceição Aparecida). Segundo o autor, os objetos eram colocados para disfarçar a quebra da imagem.

O primeiro retrato da imagem original de Nossa Senhora Aparecida que se tem notícia foi feito pelos fotógrafos franceses Luiz Robin e Valentim Fraveau, em 1869. Nesta foto aparece um manto utilizado pela imagem naquela época.
A outra imagem, do fotógrafo amador André Bonotti, tirada em 1924, apresenta a imagem sem o manto, com um dos cordões ao redor do pescoço. Ela foi muito utilizada pelos especialistas para constatar o estado primitivo da imagem até esta época.
O manto que cobre a imagem de Nossa Senhora Aparecida na atualidade tem aproximadamente quatro anos. Foi confeccionado por uma família aparecidense. Nele, estão destacadas as bandeiras do Brasil e do Vaticano, identificando assim a unidade da Igreja com o Papa.
Ao longo dos últimos três séculos, o manto da Padroeira do Brasil sempre quis representar a realeza de Maria, enquanto Mãe do Redentor da Humanidade.
No decorrer da história, muitos foram os mantos que cobriram a Imagem da Padroeira, mas um em especial remete ao seu achado em 1717: as mãos de Filipe Pedroso, que foi um dos pescadores presentes no milagre nas águas do rio Paraíba.
Ele mesmo, com suas mãos, moldou a pequena imagem com cera de abelha e, assim, foi o primeiro a venerar a Rainha e Padroeira do Brasil.
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*Com informações do Portal A12
