Gerdau propõe layoff e trabalhadores reforçam luta por empregos em São José dos Campos
A Gerdau quer suspender temporariamente o contrato de cerca de 50 trabalhadores, na unidade de São José dos Campos (SP). A proposta de layoff foi apresentada ao Sindicato dos Metalúrgicos, filiado à CSP-Conlutas, nesta quarta-feira (6). Em assembleia, nesta quinta (7), os operários rejeitaram a proposição e ampliaram a luta por estabilidade no emprego para todos.

Pela proposta da empresa, os trabalhadores ficariam em layoff por cinco meses. Nesse período, receberiam 80% do salário líquido, com parte do valor custeado pelo FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), fariam cursos de qualificação e não teriam garantia de emprego ao término do prazo. A Gerdau também não se compromete com a estabilidade no emprego para quem ficar na fábrica. Atualmente, a unidade de São José tem cerca de 280 empregados.
Durante a assembleia de hoje, o Sindicato apresentou a proposta aos trabalhadores, que a rejeitaram. Os metalúrgicos exigem que o layoff contemple pagamento de 100% do salário líquido, com complemento a ser feito pela Gerdau. Além disso, reivindicam que a estabilidade no emprego seja garantida durante a suspensão temporária dos contratos e no mínimo três meses após seu término. Os operários exigem, ainda, a manutenção do pagamento de todos os benefícios durante o layoff, como vale-alimentação.
O Sindicato se reunirá com a direção da empresa nesta sexta (8), às 9 horas, quando apresentará a proposta dos trabalhadores.
“Os metalúrgicos deram o recado para a Gerdau: se houver layoff, exigem o pagamento total do salário líquido, além de estabilidade no emprego para todos, garantida em acordo. A mobilização já começou”, explica o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves.
Estado de mobilização
Desde o dia 10 de janeiro, os metalúrgicos da Gerdau em São José dos Campos estão em mobilização por estabilidade no emprego.
A fábrica, uma das principais siderúrgicas do país, vem demitindo em massa desde o ano passado, usando como argumentos a concorrência com o mercado chinês e a queda na produção e na lucratividade em 2023. Mas a justificativa não se sustenta, uma vez que a Gerdau fechou o ano no azul, com lucro líquido de R$ 7,54 bilhões.
Em fevereiro, sob os mesmos argumentos, a multinacional dispensou cerca de 100 trabalhadores que estavam em layoff, na unidade de Pindamonhangaba. A siderúrgica também implementou layoff em Mogi das Cruzes, em julho, e demitiu em massa em seguida. Além disso, a Gerdau fala em reestruturação em todo o país.
Em São José dos Campos, o Sindicato organiza a luta dos trabalhadores em defesa dos empregos. Com a lucratividade e o crescimento da Gerdau nos últimos quatro anos, a gigante do aço tem total condição de garantir todos os postos de trabalho.
“Nos últimos anos, o que o nosso Sindicato mais fez foi mobilizar a categoria contra o fechamento de postos de trabalho. Entra governo, sai governo, e nós não vemos melhoria na vida do trabalhador. Sabemos que a China disputa a hegemonia da economia no mundo com os Estados Unidos. Como sempre, diante de cenários de crise, são os trabalhadores que acabam prejudicados. A nossa tarefa é resistir e organizar os operários para mais esta luta em defesa dos empregos”, conclui Weller.
