Caoa Chery e Sindicato não chegam a acordo e Prefeitura de Jacareí pede manutenção de empregos
O prefeito de Jacareí, Izaias Santana (PSDB), emitiu uma nota nesta sexta-feira (20), pedindo oficialmente a manutenção de empregos da Caoa Chery na cidade ou abertura das negociações, após a empresa recusar o acordo de lay-off (suspensão temporária dos contratos).
A montadora, que atua no município desde 2015, está com a produção parada desde março e anunciou, em maio, a suspensão das atividades por três anos. Junto disso, aproximadamente 485 funcionários foram demitidos.

No pronunciamento, o prefeito de Jacareí reconhece que a ida da Caoa Chery para a cidade foi um fator que impulsionou o crescimento econômico na região. No entanto, argumenta que os benefícios ao grupo econômico e à sua cadeia produtiva só foram possíveis pelos investimentos públicos.
“Vale destacar, em especial, a priorização do investimento público em drenagem, dentre tantas outras áreas do município que esperam obras desta natureza. O investimento público se justificava principalmente em função dos empregos diretos e indiretos criados na cadeia de montagem, venda e manutenção dos veículos”, diz Izaias Santana, em nota.
O prefeito afirma ainda que o anúncio de paralisação das atividades sem negociação, visando adequação estrutural para produção de carros elétricos, é um “fator que causa estranheza”.
“Nos alinhamos aos trabalhadores da empresa nessa luta pela abertura dos canais de negociação, visando a preservação dos empregos, condição indispensável para o cumprimento de compromisso da contraprestação social pelos investimentos públicos que, direta ou indiretamente, beneficiaram o grupo econômico e sua cadeia produtiva”, conclui a nota.
Posicionamento da Caoa Chery
Em nota, a Caoa Chery explica que não aceitou a proposta de lay-0ff, pois a legislação estabelece a medida quando a previsão de retomada da produção é à curto prazo.
Segundo a empresa, a unidade ficará fechada até 2025 para começar a produzir apenas modelos híbridos e elétricos. A produção de veículos, que segue no Brasil, será compensada na outra unidade do grupo, em Anápolis (GO).
Para os que serão demitidos, a empresa oferece indenização, além do valor rescisório. O acordo previsto é de 15 salários para quem tem mais de cinco anos de empresa, dez para quem tem de dois a cinco anos, e sete para quem tem até dois anos de contrato.
Reivindicações dos trabalhadores
Desde o anúncio do encerramento das atividades, os trabalhadores, em conjunto com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, realizam diversas manifestações em prol da manutenção dos empregos. O Sindicato se reúne com a montadora na próxima segunda-feira (23), para nova reunião de negociação.
Os trabalhadores realizaram uma passeata em São Paulo, na última quarta-feira (18), contra o fechamento da empresa. Aproximadamente 100 trabalhadores estiveram no protesto, segundo balanço do Sindicato, juntamente com metalúrgicos da Avibras Aeroespacial, também de Jacareí, e da MWL, de Caçapava.
Eles pedem a abertura de lay-off até janeiro de 2023 e a permanência da fábrica em Jacareí. Em apoio, a Câmara Municipal de Jacareí enviou um requerimento à Caoa Chery, pedindo o cumprimento do acordo com os trabalhadores, ainda em 10 de maio.
A Câmara Municipal também estuda a implementação de uma “Frente Parlamentar em Defesa do Emprego”, para debater o tema com maior intensidade, visando acelerar o desfecho do caso.
