Brasil: tarifaço de Trump gerou prejuízo de mais de R$ 420 milhões à Embraer
A Embraer, uma das maiores fabricantes de aeronaves do mundo, teve um impacto financeiro significativo após o tarifaço imposto pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros.
Segundo a companhia, as tarifas aplicadas às exportações resultaram em um custo de US$ 80 milhões, o equivalente a mais de R$ 420 milhões.
As taxas começaram a ser cobradas em abril de 2025, quando produtos brasileiros passaram a sofrer tarifa de 10%, além da ameaça posterior de uma sobretaxa de 40%, prevista para agosto daquele ano. Essa medida extra, porém, acabou não sendo aplicada às aeronaves, que foram retiradas do pacote adicional.

Aviação executiva concentrou maior parte do impacto
De acordo com a Embraer, a maior parte do custo gerado pelas tarifas atingiu o setor de aviação executiva, responsável por 85% das despesas adicionais relacionadas ao imposto.
O restante do impacto financeiro ficou concentrado na área de suporte e serviços da empresa.
Suprema Corte dos EUA derruba tarifas impostas globalmente
Em 20 de fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu derrubar as tarifas impostas pelo governo Trump sobre produtos importados em diversos países.
A decisão foi tomada por seis votos a três, mantendo o entendimento de um tribunal inferior que havia considerado que o ex-presidente excedeu sua autoridade ao impor as tarifas.
Segundo o tribunal, a interpretação da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) usada pelo governo para justificar as taxas invadia competências do Congresso e violava princípios jurídicos relacionados à chamada “doutrina das questões importantes”.
Empresa avalia possibilidade de recuperar valores pagos
Com a decisão da Justiça americana, a Embraer está entre as empresas potencialmente beneficiadas. Ainda assim, a fabricante brasileira avalia quais medidas poderá adotar para tentar recuperar os valores pagos em tarifas.
O presidente e CEO da companhia, Francisco Gomes Neto, afirmou que a empresa acompanha os próximos passos do mercado antes de tomar uma decisão.
“Estamos monitorando a situação para entender como outras empresas do setor vão agir e quais resultados poderão obter antes de definir nossa posição”, declarou o executivo.
