Taubaté: vereador usa camiseta com símbolo associado à perseguição nazista na Câmara e nega comparação com o Holocausto
O vereador Alberto Barreto (PRD) utilizou uma camiseta com uma representação da estrela amarela usada para identificar e perseguir judeus durante o regime nazista em uma sessão da Câmara Municipal de Taubaté. A peça trazia uma estrela de seis pontas, com linhas pretas sobre fundo amarelo, e a inscrição “não vacinado” no lugar da palavra “judeu”.
O parlamentar vestiu a camiseta ao subir à tribuna para se posicionar contra três moções de repúdio apresentadas pelo vereador Isaac do Carmo (PT).
Durante o discurso, Barreto criticou o que considera diferenças de tratamento entre manifestações políticas de direita e de esquerda.

“É sempre assim: quando é direita, é crime. Quando é esquerda, é liberdade de expressão. Eu sou a favor da liberdade”, afirmou.
Estrela amarela foi usada para identificar judeus
A estrela amarela utilizada na camiseta remete a um dos mecanismos de identificação impostos aos judeus pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
Em diferentes territórios ocupados pelos nazistas, a população judaica foi obrigada a utilizar marcas visíveis nas roupas. Na Polônia ocupada, por exemplo, foram adotadas braçadeiras com a Estrela de Davi.
Em 1º de setembro de 1941, uma determinação assinada por Reinhard Heydrich, então chefe do Departamento Central de Segurança do Reich, estabeleceu a obrigatoriedade do uso de uma estrela amarela com a palavra “Jude” — termo alemão para judeu — costurada na roupa, na altura do peito esquerdo.
A medida fazia parte da política de identificação, segregação e perseguição promovida pelo regime nazista. Durante o Holocausto, milhões de judeus foram assassinados. De acordo com a Enciclopédia do Holocausto, cerca de 2,7 milhões morreram em centros de extermínio.
Vereador diz que camiseta foi criada durante a pandemia
Em nota, Alberto Barreto afirmou que confeccionou a camiseta durante a pandemia de Covid-19. Segundo ele, a inscrição “não vacinado” tinha como objetivo alertar sobre o que considera mecanismos de estigmatização e exclusão social.
O vereador declarou que não pretendia estabelecer uma comparação direta com o extermínio de judeus, mas chamar a atenção para processos que, em sua avaliação, podem anteceder a restrição de liberdades individuais.
Leia a íntegra da manifestação:
Nota do vereador Alberto Barreto
“Usei essa camiseta com a Estrela de Davi e a inscrição ‘não vacinado’ para fazer um alerta muito sério sobre a gênese dos regimes totalitários. Minha intenção nunca foi fazer uma comparação direta com o extermínio em si, mas sim chamar a atenção para o processo de estigmatização, identificação e segregação que precede o colapso das liberdades individuais.
Historicamente, processos de exclusão em massa só se tornam possíveis porque, em sua fase inicial, o Estado promove uma clivagem social, dividindo a população entre cidadãos que gozam de plenos direitos e uma categoria de indivíduos marginalizados e rotulados como uma ‘ameaça de desestabilização’ ao bem comum. Sem essa identificação visual e esse fichamento prévio, a perseguição sistemática não ganha escala.
Minha crítica à exigência do passaporte sanitário na pandemia ataca exatamente esse mecanismo: o Estado utilizou a mesma lógica sociopolítica de etiquetar e isolar indivíduos, criando um precedente autoritário onde o controle e a perda de direitos fundamentais começam pela marcação pública e institucional do cidadão.”
