Cruzeiro: homem é condenado após mulher denunciar agressões em bilhete enviado à escola do filho
A Justiça de Cruzeiro condenou um homem a dois anos de prisão em regime inicial aberto por agressões contra a esposa, em um caso que ganhou repercussão após a vítima pedir ajuda por meio de um bilhete enviado à escola do filho.
O episódio ocorreu no ano passado e veio à tona quando o menino, de cinco anos, entregou à direção da escola um recado escrito pela mãe, que relatava sofrer violência doméstica.
Na mensagem, a mulher, que tinha 23 anos na época, escreveu:
“Querida diretora, preciso de sua ajuda. O pai do meu filho está me batendo muito. Tem como você me ajudar? Para o bem dos meus filhos, por favor. Estou com muito medo.”

Justiça reconhece agressões durante o processo
A sentença foi proferida pela juíza Marcela Mendonça de Oliveira, da Vara Criminal de Cruzeiro, que considerou comprovadas as agressões ao longo do processo judicial.
De acordo com a decisão, a vítima relatou que foi atingida com um pedaço de bambu e teve o cabelo puxado pelo companheiro.
Com base nas provas apresentadas, o homem foi condenado por lesão corporal no contexto de violência doméstica, crime previsto no Código Penal e na Lei Maria da Penha.
Outras acusações não tiveram comprovação suficiente
Na mesma decisão, a magistrada avaliou que não houve provas suficientes para condenar o réu por ameaça, cárcere privado e estupro, crimes que também haviam sido incluídos na denúncia inicial.
Segundo a sentença, durante o depoimento em juízo a vítima alterou parte de sua versão sobre os fatos.
“Embora a investigação tenha apresentado elementos de informação com gravidade muito acentuada, a vítima, ouvida em juízo, mudou sua versão sobre os fatos, dizendo que inventou muitos dados, por estar com raiva do acusado”, registrou a juíza na decisão.
O réu poderá recorrer da condenação em liberdade.
Bilhete mobilizou escola e polícia
O caso aconteceu em maio do ano passado, em uma área rural de Cruzeiro. Após receber o bilhete no caderno do aluno, a direção da escola, localizada em Cachoeira Paulista, acionou as autoridades.
Como a família vivia em uma região afastada, os policiais levaram cerca de 15 dias para localizar o endereço da vítima.
Quando a mulher foi encontrada, apresentava diversos ferimentos pelo corpo e relatou às autoridades que sofria agressões frequentes do companheiro.
Após a prisão em flagrante, o homem foi denunciado pelo Ministério Público pelos crimes de lesão corporal, ameaça, cárcere privado e estupro, sendo posteriormente condenado apenas pela agressão no contexto de violência doméstica.
