São José dos Campos confirma novo caso de meningite em criança
A Prefeitura de São José dos Campos confirmou mais um caso diagnosticado de meningite bacteriana em uma criança na última sexta-feira (28/10). Por meio de nota, a prefeitura informou que a criança evolui bem, está estável, com melhora clínica.
O aluno de uma escola municipal de educação infantil está internado desde o dia 23 de outubro no Hospital Municipal, após realização de exame PCR.
Com a confirmação do caso, os 6 membros da família da criança já foram devidamente medicados com antibióticos (seguindo o tratamento de quimioprofilaxia, indicada para comunicantes próximos de um paciente com doença meningocócica), para assegurar o bloqueio.
No mesmo dia, a escola comunicou a situação a todas as famílias dos alunos da sala.
A prefeitura de São José dos Campos informou também que já solicitou à Vigilância Epidemiológica do Governo do Estado de São Paulo novas doses da medicação para as ações de bloqueio aos demais comunicantes: professores e alunos da sala onde a criança estuda.
A Vigilância Epidemiológica informa que está acompanhando o caso e prestando as orientações aos pais sobre os procedimentos necessários para evitar o contágio e a disseminação da doença.
Evolução dos casos
No primeiro semestre de 2022, a cidade de São José dos Campos teve 31 casos de meningite e 2 mortes confirmadas, segundo o que informou a secretária municipal de Saúde, Margarete Correia, durante audiência na Câmara de vereadores.
Em abril deste ano, um caso de meningite foi registrado em uma criança de uma creche do distrito de São Francisco Xavier. A Secretaria de Saúde do município informou ainda que a meningite contraída pela criança é a do tipo mais comum, o que não faz necessário o isolamento de pessoas próximas e familiares.
Em todo o ano, até agora, São José registrou neste ano 72 casos da doença, com 3 óbitos: dois meninos (2 meses e 3 anos), ambos por meningite B e uma mulher de 59 anos (meningite C).
A prefeitura informa que não há situação de surto ou epidemia da doença no município e que também não há necessidade de interrupção de aulas nem há risco de contaminação às crianças de outras salas.
A doença
A meningite é caracterizada por um processo inflamatório das meninges, membranas que revestem o encéfalo e a medula espinhal. É causada, principalmente, a partir da infecção por vírus ou bactérias; no entanto, outros agentes etiológicos também podem causar meningite, como fungos e parasitos.
Meningite bacteriana
Entre as meningites bacterianas, a Doença Meningocócica (DM) continua sendo o principal objetivo da vigilância das meningites, em função da morbimortalidade e da transcendência da doença.
Doença Meningocócica (DM)
A doença meningocócica é causada por uma bactéria que possui diversos sorogrupos, classificados de acordo com o antígeno polissacarídeo da cápsula. Os mais frequentes são o A, B, C e o Y e W. A transmissão ocorre através do contato direto pessoa a pessoa, por meio de secreções respiratórias de pessoas infectadas, assintomáticas ou doentes.
Em crianças acima de 1 ano e adultos, os principais sintomas são: febre, dor de cabeça, vômitos, rigidez de nuca, convulsões e/ou manchas vermelhas no corpo. Em crianças abaixo de 1 ano, os sintomas podem não ser tão evidentes.
Meningite viral
As meningites virais são aquelas causadas por vírus e, em 85% dos casos os enterovírus são responsáveis pela doença. É caracterizada por um quadro clínico com evolução autolimitada e benigna. Não há tratamento específico, geralmente requer apenas a terapia de suporte. As manifestações clínicas assemelham-se às viroses em geral.
Medidas de prevenção e controle
A principal medida de controle a ser desencadeada nas Doenças Meningocócicas (DM) para reduzir o contágio e, consequentemente, o número de casos, é a notificação e investigação oportuna da suspeita para a pronta administração da quimioprofilaxia aos contatos próximos do caso suspeito.
Em situações específicas de surto de DM, pode ser considerada a vacinação, desde que o sorogrupo que está causando o surto seja conhecido e se tenha a vacina disponível. A decisão de vacinação em um surto é acordada entre as três esferas de governo.
Outras medidas importantes são:
- Higienização das mãos;
- Higienização do ambiente;
- Ventilação do ambiente;
- Cuidado com os alimentos.
Vacinação
Como parte do calendário vacinal de rotina, o imunizante contra a meningite meningocócica C deve ser aplicado em bebês de 3, 5 e 12 meses. Já o de meningite ACWY atualmente é aplicado na faixa etária de 11 a 14 anos de idade (a vacinação foi ampliada em setembro também para adolescentes de 13 a 14 anos, até junho de 2023 conforme definições do Programa Nacional de Imunizações).
Apenas em situações excepcionais, como a do surto localizado que ocorre no momento nos distritos da Vila Formosa e Aricanduva, os imunizantes são indicados para adultos.
A exceção são profissionais de saúde, que podem ser vacinados mediante comprovante de vínculo empregatício em serviço de saúde do município de São Paulo, documento de conselho de classe, comprovante de profissão, certificado ou diploma. A vacinação desses profissionais está liberada até fevereiro de 2023.
