Vale do Paraíba: Cesta básica sobe 1,63% em outubro e chega a quase R$ 3 mil
O custo da cesta básica no Vale do Paraíba voltou a subir em outubro e se aproximou da marca de R$ 3 mil. Segundo levantamento do Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais (Nupes), da Universidade de Taubaté (Unitau), o valor médio aumentou 1,63% em relação a setembro, passando de R$ 2.947,02 para R$ 2.994,93.
Na prática, a diferença representa um gasto adicional de R$ 47,91 em apenas um mês. Desse total, R$ 47,39, o equivalente a 98,9% do aumento, vieram dos produtos de alimentação.
Este é o segundo mês consecutivo de alta. Em setembro, a cesta já havia registrado aumento de 2,18%, depois de duas reduções seguidas em julho (-2,53%) e agosto (-1,05%).

Somados, os reajustes de setembro e outubro chegaram a R$ 110,78, superando a economia de R$ 106,37 acumulada nos dois meses anteriores.
Chuvas e valorização das carnes pressionam preços
De acordo com os pesquisadores do Nupes, dois fatores contribuíram para o encarecimento da cesta básica.
O primeiro foi a continuidade das chuvas acima da média no Sudeste, que prejudicaram a colheita, a qualidade e a oferta de hortaliças, como cebola, tomate e alface.
Outro fator foi a valorização da carne bovina, impulsionada pelos preços elevados da arroba do boi gordo e pela oferta mais restrita de animais destinados ao abate.
Entre os produtos que mais encareceram no Vale do Paraíba em outubro estão:
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Cebola: alta de 20,54%;
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Tomate salada: aumento de 17,50%;
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Mamão formosa: avanço de 15,02%;
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Contrafilé: alta de 6,93%;
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Alcatra: aumento de 6,74%.
Na contramão, alguns produtos ficaram mais baratos. A cenoura apresentou a maior redução, de 17,21%, acumulando quatro meses consecutivos de queda. Também registraram recuo a abobrinha (-6,72%) e o alho (-6,30%).
Cesta básica fica mais cara nas quatro cidades pesquisadas
O levantamento identificou aumento no custo da cesta básica em todos os municípios analisados pelo Nupes. Caçapava teve a maior variação mensal, enquanto Taubaté apresentou a menor.
Confira os reajustes de outubro:
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Caçapava: alta de 2,05%;
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Campos do Jordão: aumento de 1,60%;
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São José dos Campos: avanço de 1,46%;
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Taubaté: elevação de 1,39%.
Apesar da menor alta, Taubaté continua com a cesta básica mais barata da região, enquanto Campos do Jordão registra o maior custo.
Veja os valores médios em cada município:
| Cidade | Valor em outubro |
|---|---|
| Taubaté | R$ 2.904,31 |
| São José dos Campos | R$ 2.940,51 |
| Caçapava | R$ 2.949,35 |
| Campos do Jordão | R$ 3.185,56 |
A diferença entre Campos do Jordão e Taubaté chega a R$ 281,25, equivalente a 9,68%.
Segundo o Nupes, fatores como as dificuldades logísticas de abastecimento na Serra da Mantiqueira contribuem para o custo mais elevado em Campos do Jordão. Já a infraestrutura rodoviária e a maior concorrência comercial favorecem preços menores em Taubaté.
Cesta acumula alta de 5,59% em 12 meses
O cenário também mostra aumento expressivo na comparação anual. Nos últimos 12 meses, a cesta básica regional ficou 5,59% mais cara, o que representa um acréscimo de R$ 158,47.
Campos do Jordão lidera o avanço acumulado, com alta de 8,58%. Na sequência aparecem:
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Caçapava: 5,11%;
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São José dos Campos: 4,81%;
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Taubaté: 3,72%.
Cesta compromete quase 37% da renda familiar
A pesquisa considera uma família de cinco pessoas, com renda equivalente a cinco salários mínimos, totalizando R$ 8.105.
Em outubro, a compra da cesta básica passou a consumir 36,95% da renda familiar, ante 36,36% em setembro e 35,58% em agosto.
Com isso, o valor disponível para despesas como saúde, educação, transporte e outros compromissos domésticos caiu de R$ 5.157,98 para R$ 5.110,07.
Entre as cidades pesquisadas, Campos do Jordão apresenta o maior comprometimento da renda, com 39,30%. Em Taubaté, o índice é de 35,83%.
Alimentação concentra maior impacto no orçamento
Os três grupos que compõem a cesta básica registraram aumento em outubro. O segmento de alimentação teve a maior elevação, de 1,78%, seguido por produtos de limpeza doméstica (0,28%) e higiene pessoal (0,09%).
Os alimentos representam 90,28% do custo total da cesta, o que explica o peso desse grupo no resultado registrado no mês.
