Vale do Paraíba: Sistema Cantareira fecha outubro com segundo melhor nível em dez anos, mas permanece em atenção
O Sistema Cantareira encerrou outubro com 51,2% do volume útil armazenado, alcançando o segundo melhor resultado para o mês nos últimos dez anos. Mesmo com a recuperação dos reservatórios, o manancial continuará operando na Faixa 2 – Atenção durante novembro.
Os dados são da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), atualizados no sábado (31). O índice fica atrás apenas do registrado em outubro de 2023, quando o sistema chegou a 72,9% da capacidade útil.
A situação representa uma melhora expressiva em relação ao ano passado. Em outubro de 2025, o Cantareira apresentava apenas 23,4% do volume útil armazenado.
O sistema é formado por reservatórios importantes para o abastecimento paulista. Entre eles estão Jaguari, Jacareí e Atibainha, localizados no Vale do Paraíba e na região de Bragança Paulista.

Chuvas acima da média impulsionam recuperação
O aumento no armazenamento foi favorecido pelo volume de precipitações registrado nos últimos meses.
Em outubro, o Sistema Cantareira acumulou 210,8 milímetros de chuva, aproximadamente 62% acima da média histórica para o período, estimada em 130,1 milímetros.
A recuperação também ganhou força em setembro. Naquele mês, foram registrados 283,5 milímetros de precipitação.
Com isso, o volume útil passou de 32,99% no encerramento de agosto para 41,1% no fim de setembro. Em 30 de outubro, o índice chegou a 50,69%. Na atualização do dia seguinte, atingiu 51,2%.
Veja a evolução do Cantareira nos últimos anos
O levantamento histórico mostra como o nível dos reservatórios variou no encerramento de outubro desde 2012.
Confira os índices registrados em cada ano:
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2026: 51,2%
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2025: 23,4%
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2024: 46,6%
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2023: 72,9%
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2022: 31,8%
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2021: 28,1%
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2020: 35,1%
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2019: 41,3%
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2018: 34,5%
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2017: 46,3%
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2016: 43,1%
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2015: -13,2%
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2014: -16,9%
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2013: 36,8%
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2012: 55,7%
Os números negativos registrados em 2014 e 2015 refletem o período de crise hídrica, quando foi necessário utilizar o chamado volume morto para manter o abastecimento.
Por que o sistema continua na faixa de atenção?
Apesar da recuperação, o Cantareira ainda não atingiu o patamar necessário para voltar à condição considerada normal.
A classificação operacional de novembro considera o volume armazenado no último dia útil de outubro. Como o índice ficou em 50,69%, o sistema permanecerá na Faixa 2 – Atenção.
Nessa condição, a Sabesp pode retirar até 31 metros cúbicos de água por segundo (m³/s) dos reservatórios. Caso o armazenamento alcance pelo menos 60%, o limite de captação poderá subir para 33 m³/s.
As regras foram estabelecidas após a crise hídrica de 2014 e 2015 e determinam limites diferentes de retirada conforme o nível dos reservatórios.
Confira as cinco classificações:
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Normal: a partir de 60% do volume útil, com captação de até 33 m³/s.
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Atenção: entre 40% e menos de 60%, com limite de 31 m³/s.
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Alerta: entre 30% e menos de 40%, com limite de 27 m³/s.
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Restrição: entre 20% e menos de 30%, com limite de 23 m³/s.
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Especial: abaixo de 20%, com captação limitada a 15,5 m³/s.
El Niño pode influenciar o volume de chuvas
A previsão climática para os próximos meses também está no radar das autoridades. O El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, deve ganhar intensidade e pode alcançar níveis muito fortes a partir de novembro.
Um boletim elaborado por órgãos como Inmet, Inpe e Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) aponta maior probabilidade de chuvas acima da média entre novembro de 2026 e janeiro de 2027 em áreas do Sudeste, Sul e Centro-Oeste.
Entretanto, a influência do fenômeno não significa necessariamente chuvas distribuídas de maneira regular.
Segundo o pesquisador do Inpe Gilvan Sampaio, em entrevista ao g1, o El Niño pode favorecer temperaturas elevadas e precipitações concentradas em pancadas intensas no Sudeste.
Esse comportamento pode aumentar o risco de alagamentos, inundações e deslizamentos, especialmente em regiões vulneráveis.
Sistema abastece milhões de pessoas
O Sistema Cantareira é um dos principais responsáveis pelo abastecimento de água do estado de São Paulo. O conjunto de reservatórios atende aproximadamente metade da população da Região Metropolitana de São Paulo e também contribui para o fornecimento de água em Campinas e municípios das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.
O volume útil total do sistema é de aproximadamente 981,56 bilhões de litros.
Desde 2018, o Cantareira também conta com uma interligação entre a represa Jaguari, na bacia do Rio Paraíba do Sul, e a represa Atibainha, permitindo a transferência de água entre diferentes bacias hidrográficas.
Apesar dos resultados positivos de outubro, a recuperação completa ainda depende das próximas chuvas, das condições dos mananciais e do controle da retirada de água para abastecimento.
