outubro 12, 2026

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Aparecida: arcebispo condena ódio contra quem pensa diferente e pede “paz desarmada” em missa da Padroeira

O arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, defendeu a construção de uma “paz desarmada e desarmante” durante a missa solene em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, nesta segunda-feira (12). Na homilia, ele afirmou que os ensinamentos do Evangelho não justificam o ódio contra pessoas que pensam de maneira diferente e fez um apelo ao diálogo, à reconciliação e ao combate às divisões.

Ao abordar os conflitos e a intolerância, o religioso citou o papa Leão XIV, que tem defendido a mensagem de uma paz capaz de superar a lógica do confronto. Sem mencionar diretamente os candidatos à Presidência da República, dom Mário criticou a hostilidade entre pessoas e grupos.

“Sabemos que Jesus manda construir a paz. E aqui, escutando Leão XIV, uma paz desarmada e desarmante. Mas muitas vezes alimentamos divisões. Falamos com armamentos, com guerras e tantos confrontos entre nós. O Evangelho, queridos irmãos e irmãs, não nos autoriza a odiar quem pensa diferente e nem a matar os inimigos”, afirmou.

Imagem: A12

Arcebispo defende diálogo e critica a construção de muros

Na sequência da homilia, dom Mário Antônio destacou que a mensagem cristã deve incentivar a aproximação entre as pessoas, mesmo diante de diferenças de opinião.

“O Evangelho, sim, nos autoriza a construir pontes onde alguém abre precipícios ou túneis, onde alguém ergue muros”, declarou.

O arcebispo também pediu que os fiéis não permaneçam indiferentes diante do sofrimento humano e das injustiças sociais. Entre os problemas citados estavam a fome, a pobreza, a violência, o abandono de idosos, a situação de crianças e jovens, os conflitos armados e a destruição ambiental.

“Quem escuta Deus não pode ficar indiferente diante da fome, da pobreza, da violência, da solidão. Não pode ficar indiferente diante das famílias feridas, das crianças também feridas, dos jovens sem esperança, dos idosos abandonados. Não podemos ficar indiferentes diante das guerras, da destruição da natureza e de tantos outros males que nos afetam, que afetam a população do Brasil e do mundo”, afirmou.

Homilia ocorre em meio à disputa pela Presidência

Apesar das referências a conflitos, divisões e questões sociais, dom Mário não citou diretamente as eleições de 2026 nem a polêmica envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida e os nomes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputam o segundo turno presidencial.

A celebração deste ano acontece em meio à disputa eleitoral e à circulação de conteúdos falsos envolvendo a Padroeira do Brasil.

Lula e Flávio Bolsonaro não participaram da missa em Aparecida. Os dois tinham compromissos religiosos previstos em Brasília nesta segunda-feira.

Dom Mário assume celebração após saída de dom Orlando Brandes

A missa solene de 12 de outubro marcou a primeira Festa da Padroeira conduzida por dom Mário Antônio da Silva como arcebispo de Aparecida.

Ele assumiu o cargo em 2 de maio de 2026, após o papa aceitar o pedido de renúncia de dom Orlando Brandes, que esteve à frente da Arquidiocese de Aparecida por nove anos e deixou a função após completar 80 anos.

A abordagem de temas sociais na homilia segue uma tradição das celebrações anteriores. Durante seu período à frente da arquidiocese, dom Orlando Brandes tratou de assuntos como desigualdade, preservação ambiental, racismo, aborto e responsabilidade dos representantes eleitos, com frequentes apelos à justiça social e à proteção dos mais pobres.

Autoridades participam da missa no Santuário Nacional

Considerada o principal momento religioso da Festa da Padroeira, a Missa Solene das 9h reuniu milhares de fiéis e autoridades no Santuário Nacional de Aparecida.

Entre os presentes estavam o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), o político João Campos (PSB), o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

O prefeito de Aparecida e representantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros também acompanharam a celebração.

Relembre as mensagens das missas da Padroeira nos últimos anos

As homilias de 12 de outubro ganharam repercussão nacional nos últimos anos por abordarem questões sociais e temas presentes no debate político brasileiro.

  • 2022: na reta final da eleição presidencial, dom Orlando Brandes criticou o ódio e a mentira. O religioso pediu que a sociedade vencesse os “dragões do ódio e da mentira” e mencionou problemas como desemprego e fome, além da participação dos eleitores.
  • 2023: a mensagem abordou aborto, preservação ambiental, justiça e direitos humanos. O arcebispo defendeu a proteção da vida e criticou o desmatamento, relacionando o debate sobre o aborto à discussão em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF).
  • 2024: dom Orlando destacou a esperança, a preservação ambiental e a necessidade de proteger as crianças.
  • 2025: o religioso pediu aos políticos eleitos que aprovassem medidas favoráveis à população mais pobre. A homilia também tratou de desigualdade social, racismo e adoção.

A mensagem de dom Mário em 2026 mantém a atenção sobre questões sociais e humanitárias, com ênfase na convivência entre pessoas com opiniões diferentes e na responsabilidade diante do sofrimento alheio.

Festa da Padroeira reúne milhares de devotos em Aparecida

O dia 12 de outubro concentra a programação principal em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, considerada a Padroeira do Brasil. Milhares de romeiros visitam o Santuário Nacional para participar das celebrações religiosas.

A programação deste ano inclui sete missas ao longo do dia, a Consagração Solene, na Basílica Histórica, e a Procissão Solene, prevista para o início da noite, com encerramento acompanhado de show pirotécnico.