agosto 21, 2026

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São Paulo: rede amplia atendimento 24 horas para mulheres vítimas de violência

Mulheres vítimas de violência doméstica passaram a contar com uma rede ampliada de canais para registrar ocorrências e buscar atendimento policial a qualquer hora do dia. A estrutura reúne Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), salas especializadas em delegacias com plantão 24 horas, serviços pela internet e aplicativo.

No estado de São Paulo, a quantidade de espaços físicos exclusivos ou especializados para atendimento dessas ocorrências passou de 202, em 2023, para 379 em 2026. Segundo os dados divulgados pelo governo estadual, a expansão foi de 87%.

Além do atendimento presencial, também é possível recorrer à Delegacia Eletrônica da Polícia Civil e ao aplicativo SP Mulher Segura, que oferecem serviços relacionados ao registro de ocorrências e à solicitação de medidas de proteção.

Imagem: Reprodução

Denúncia pode ser feita pela internet

A Delegacia Eletrônica da Polícia Civil permite que vítimas registrem ocorrências de violência doméstica sem precisar comparecer inicialmente a uma unidade policial.

A plataforma orienta o preenchimento das informações necessárias para formalizar a denúncia. Também é possível solicitar medida protetiva de urgência, que depende de análise judicial para ser concedida.

Durante o registro, a vítima pode encaminhar materiais relacionados ao caso, como imagens e vídeos. Depois da formalização da ocorrência, policiais civis podem entrar em contato para dar continuidade ao atendimento.

Em situações que apresentem risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

Cabine Lilás oferece atendimento especializado

Entre os serviços disponíveis está a Cabine Lilás, iniciativa da Polícia Militar voltada ao atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica.

O serviço conta com policiais femininas responsáveis por orientar as vítimas sobre as possibilidades de proteção previstas na legislação e indicar os serviços disponíveis na rede pública.

A secretária de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, afirmou que ampliar os canais de denúncia é uma das estratégias para facilitar o acesso das vítimas à proteção.

Segundo ela, a estrutura busca diminuir barreiras para quem precisa pedir ajuda e ampliar as alternativas disponíveis para o registro das ocorrências.

Estado conta com 144 Delegacias da Mulher

Atualmente, São Paulo possui 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e 235 Salas DDM 24h.

As salas estão instaladas em delegacias que funcionam em regime de plantão permanente. A proposta é permitir que mulheres tenham acesso a atendimento especializado mesmo em municípios ou regiões que não contam com uma DDM exclusiva.

Desde 2023, o número de Salas DDM 24h aumentou 280%. Ao todo, 173 unidades foram implantadas nesse período: 15 em 2023, 75 em 2024, 18 em 2025 e outras 65 em 2026.

O atendimento pode ocorrer de forma virtual, com participação de delegadas e profissionais mulheres. As equipes são responsáveis pelo registro da ocorrência, acolhimento e orientação sobre os serviços disponíveis.

Quatro novas DDMs foram abertas desde 2023

As unidades físicas da Delegacia de Defesa da Mulher passaram de 140 para 144 desde 2023.

As quatro novas delegacias estão em Paulínia, Ferraz de Vasconcelos, Franco da Rocha e Atibaia.

Das 144 DDMs existentes no estado, 20 funcionam durante 24 horas. São sete na capital, duas na Grande São Paulo e 11 no interior.

A expansão das salas com atendimento ininterrupto permite que mulheres que vivem longe de uma delegacia especializada procurem uma unidade policial com plantão permanente.

Nesses locais, é possível registrar a ocorrência e solicitar medida protetiva durante o período de atendimento.

Aplicativo oferece botão do pânico

Outra alternativa é o SP Mulher Segura, aplicativo que reúne serviços destinados a mulheres vítimas de violência.

A plataforma permite registrar ocorrências, solicitar medidas protetivas e acessar ferramentas de segurança. Até agosto de 2026, o aplicativo contabilizava 79,9 mil usuárias ativas e 20,1 mil acionamentos do botão do pânico.

O recurso é destinado a mulheres que já possuem medida protetiva. Quando acionado, o sistema registra uma ocorrência no Centro de Operações da Polícia Militar e utiliza a geolocalização para orientar o deslocamento de uma viatura até o local.

Também é possível cadastrar um contato de emergência, como uma pessoa de confiança. Após o atendimento da ocorrência, a Cabine Lilás pode entrar em contato com esse integrante da rede de apoio.

Medidas fazem parte do SP Por Todas

As ações integram o SP Por Todas, iniciativa lançada pelo Governo de São Paulo em março de 2024.

O programa reúne medidas de diferentes secretarias estaduais voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher, além de iniciativas relacionadas a segurança, saúde, autonomia financeira e acolhimento.

A coordenação é feita pela Secretaria de Políticas para a Mulher, com participação de diferentes órgãos estaduais.

A rede combina atendimento presencial e serviços digitais, permitindo que mulheres procurem o canal mais adequado de acordo com a situação enfrentada.