agosto 3, 2026

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São José dos Campos: Justiça concede liberdade provisória a militar da FAB investigado por esfaquear duas vizinhas

A Justiça de São Paulo concedeu liberdade provisória ao soldado da Força Aérea Brasileira (FAB), de 20 anos, preso em flagrante após uma briga que terminou com duas mulheres esfaqueadas no Jardim das Indústrias, em São José dos Campos, na madrugada deste domingo (2).

A decisão foi tomada durante a audiência de custódia realizada no mesmo dia. O militar responderá ao processo em liberdade, mas deverá cumprir uma série de medidas cautelares determinadas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Entre as determinações, o investigado está proibido de manter qualquer contato com as vítimas e deverá permanecer a uma distância mínima de 250 metros delas.

Imagem: Reprodução

Além disso, terá de comparecer mensalmente ao cartório criminal responsável pelo processo, não poderá deixar a comarca por mais de sete dias sem autorização judicial e deverá manter endereço e telefone sempre atualizados, além de comparecer a todos os atos processuais.

O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil como tentativa de homicídio qualificada por motivo fútil e lesão corporal.

Briga começou após discussão envolvendo cães

Segundo o boletim de ocorrência, policiais militares foram acionados por volta das 0h05 para atender uma denúncia de briga com uso de faca.

Quando as equipes chegaram ao local, as vítimas, de 20 e 27 anos, já haviam sido socorridas por familiares.

A mulher de 27 anos sofreu um ferimento no braço e foi encaminhada para a Clínica Sul. Já a jovem de 20 anos foi levada ao Pronto-Socorro da Vila Industrial após ser atingida por uma facada no peito. No momento do registro da ocorrência, o estado de saúde dela era considerado grave. As duas permaneceram internadas e não tinham condições de prestar depoimento.

As investigações apontam que a confusão começou durante um passeio com cães entre moradores do bairro. Após o desentendimento, um grupo foi até a residência da mãe do militar para pedir explicações.

De acordo com a Polícia Civil, houve chutes contra o portão do imóvel e, na sequência, os envolvidos passaram a trocar agressões físicas. A dinâmica dos fatos ainda será esclarecida por meio de depoimentos, imagens de câmeras, vídeos e laudos periciais.

Um policial militar informou que analisou uma gravação da ocorrência. Nas imagens, duas mulheres aparecem em frente à residência antes de um homem e uma mulher saírem do imóvel. Logo depois, a briga começa.

Mãe do militar afirma que também foi agredida

Em depoimento, a mãe do soldado afirmou que foi agredida ao sair da residência para verificar o que acontecia.

Segundo seu relato, ela foi puxada pelos cabelos, teve o pescoço comprimido e chegou a sentir dificuldade para respirar. Ainda conforme a versão apresentada, o filho saiu da casa para defendê-la.

Um exame preliminar realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) constatou lesões leves na mulher. Ela decidiu representar criminalmente contra as duas vizinhas. A Polícia Civil informou que o depoimento será confrontado com as demais provas reunidas durante a investigação.

Durante o interrogatório, o militar exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio e informou que apresentará sua versão apenas em juízo.

Na residência, os policiais apreenderam uma faca que pode ter sido utilizada no crime. O objeto foi encaminhado para perícia. Também foram recolhidos vídeos, fotografias, laudos médicos e imagens registradas pelas câmeras corporais dos policiais militares.

FAB diz acompanhar o caso

Em nota, a Força Aérea Brasileira (FAB) informou que acompanha a investigação e confirmou que, após a prisão, o soldado foi encaminhado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), onde permaneceu sob custódia.

A corporação afirmou ainda que colabora com as autoridades responsáveis pela investigação e reiterou que não compactua com condutas incompatíveis com os princípios, valores e normas da instituição.