Potim: Polícia aponta que rebelião com dois mortos começou após visitantes terem acesso negado à penitenciária
A rebelião registrada na Penitenciária I de Potim no último fim de semana, que resultou na morte de dois detentos e deixou outros quatro feridos, teve início após duas mulheres serem impedidas de entrar na unidade durante o período de visitas. A informação consta no boletim de ocorrência elaborado pela Polícia Civil.
O caso ocorreu no sábado (20), no Pavilhão 5 da unidade prisional, e mobilizou equipes da Polícia Penal, além do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) da Polícia Militar. A situação foi controlada apenas na manhã de domingo (21), após horas de negociações.
Segundo o registro policial, as duas visitantes tiveram o acesso negado após o sistema de escaneamento corporal apontar suspeitas de possível material ilícito. O procedimento faz parte dos protocolos de segurança adotados pela administração penitenciária.
Ainda de acordo com o documento, a decisão provocou reação de detentos que mantinham vínculo com as visitantes. A partir daí, servidores teriam sido ameaçados e o motim foi iniciado dentro do pavilhão.
O boletim relata que os presos exigiam a entrada das mulheres na unidade e faziam ameaças caso a determinação não fosse revertida.
O espaço está aberto para qualquer manifestação da defesa dos presos apontados como responsáveis pela crise.

“Companheiros das referidas visitantes passaram a ameaçar os servidores e a afirmar que, caso as visitantes não fossem autorizadas a ingressar no estabelecimento, iniciariam a execução de outros detentos e manteriam familiares presentes no local sob restrição de liberdade”, descreve o boletim de ocorrência.
Investigação aponta liderança do motim
Conforme o documento, os detentos Anderson Luiz Cesário, conhecido como “Batata”, e Gabriel Nogueira Carvalho de Jesus foram apontados como líderes da rebelião. Eles teriam coordenado as ações durante a crise e articulado as exigências apresentadas à administração da penitenciária.
Anderson, de 45 anos, cumpre pena por homicídio qualificado. Já Gabriel, de 26 anos, foi condenado por tráfico de drogas e estava custodiado na unidade desde 2023.
Dois presos morreram durante a ocorrência
Durante o motim, dois detentos foram mortos. As autoridades informaram que as mortes ocorreram entre a tarde de sábado e o início da noite, período considerado o mais crítico da rebelião.
Uma das vítimas foi Gustavo Santos Lima Lourenço, de 24 anos, que cumpria pena por tráfico de drogas. O outro detento morto foi Carlos Matheus Alves da Silva, de 41 anos, condenado por crimes como roubo, estelionato e furto qualificado.
Por se tratar de uma ocorrência com violência extrema, os detalhes relacionados às agressões não foram divulgados nesta reportagem.
Visitantes permaneceram dentro da unidade durante negociação
A Polícia Civil informou que 14 mulheres e uma criança que participavam do período de visitas tiveram a saída restringida durante a rebelião. O grupo permaneceu na unidade até o avanço das negociações e foi liberado na manhã de domingo, quando a situação foi normalizada.
As tratativas foram conduzidas pela Polícia Penal, com apoio do GATE e da Polícia Militar. Por volta das 6h de domingo, os detentos envolvidos se renderam e o controle da penitenciária foi restabelecido.
Caso segue sob investigação
Após o fim da ocorrência, a unidade passou por uma revista geral e as visitas foram temporariamente suspensas por razões de segurança.
A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que instaurou procedimento interno para apurar os fatos. Paralelamente, a Polícia Civil continua investigando as circunstâncias da rebelião.
