Vale do Paraíba: Mercado imobiliário desacelera em abril, mas mantém crescimento expressivo em 2026
O mercado imobiliário do Vale do Paraíba registrou uma desaceleração em abril de 2026 após uma sequência de meses de forte crescimento. Apesar da redução nas vendas de imóveis e nos contratos de locação, os indicadores do setor seguem positivos no acumulado do ano.
Levantamento realizado pelo Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo) junto a imobiliárias e corretores de 31 municípios da região apontou queda de 17,98% nas vendas de imóveis residenciais usados e retração de 23,85% nas locações em comparação com março.
O resultado reflete um cenário marcado por juros elevados, maior rigor na concessão de crédito imobiliário e cautela dos consumidores diante do aumento do custo de vida.
Mesmo com a retração mensal, o setor continua impulsionado por fatores como o crescimento urbano, a demanda habitacional e a localização estratégica da região entre a capital paulista, o Rio de Janeiro e o Litoral Norte.
Casas lideram negociações de compra
As casas responderam por 52% das vendas realizadas em abril, enquanto os apartamentos representaram 48% dos negócios fechados.
O levantamento mostra que famílias em busca de mais espaço seguem priorizando imóveis residenciais horizontais. Já os apartamentos continuam atraindo compradores interessados em praticidade, infraestrutura e segurança.
No segmento de locação, o cenário foi inverso. Os apartamentos concentraram 55% dos contratos assinados, contra 45% das casas.
Bairros afastados ganham espaço entre compradores e inquilinos
Outro destaque da pesquisa é o avanço dos bairros localizados fora das regiões centrais.
Nas vendas, 47,2% dos imóveis comercializados estavam em áreas periféricas ou em expansão urbana. Os bairros centrais responderam por 30,6% das negociações, enquanto os bairros considerados nobres ficaram com 22,2%.
A mesma tendência foi observada no mercado de locação. Os bairros em desenvolvimento concentraram 48,6% dos contratos, superando as regiões centrais e áreas mais valorizadas.
Segundo o levantamento, a busca por imóveis com melhor custo-benefício, aliada à ampliação da infraestrutura urbana e à consolidação do trabalho remoto e híbrido, tem contribuído para esse movimento.
Imóveis acima de R$ 500 mil lideram volume de vendas
Os imóveis com valor superior a R$ 501 mil representaram 45,7% das negociações realizadas em abril, sendo a faixa de preço mais presente entre as vendas registradas.
Já os imóveis avaliados entre R$ 201 mil e R$ 300 mil responderam por 28,6% dos negócios fechados no período.
Financiamento segue como principal modalidade de compra
O levantamento também aponta que o financiamento imobiliário continua sendo o principal meio utilizado pelos compradores.
A Caixa Econômica Federal participou de 46,9% das operações, enquanto outras instituições financeiras responderam por 12,5%.
As compras realizadas à vista representaram 37,5% das transações, percentual considerado relevante dentro do mercado regional.
Acumulado do ano segue positivo
Apesar da queda registrada em abril, os números de 2026 continuam mostrando crescimento.
As vendas de imóveis acumulam alta de 48,85% no ano, enquanto as locações avançaram 7,35%.
No recorte dos últimos 12 meses, o desempenho é ainda mais significativo, com crescimento de 50,74% nas vendas e de 36,78% nos contratos de aluguel.
Os dados indicam que o mercado imobiliário da RMVale mantém trajetória positiva, mesmo diante dos desafios econômicos enfrentados ao longo do ano.

