Brasil: Dívida pública pode chegar a R$ 10,3 trilhões em 2026, aponta Tesouro
Após encerrar 2025 acima de R$ 8,6 trilhões, em nível histórico, a Dívida Pública Federal (DPF) pode atingir entre R$ 9,3 trilhões e R$ 10,3 trilhões ao fim de 2026. A projeção foi divulgada pelo Tesouro Nacional com a apresentação do Plano Anual de Financiamento (PAF) da dívida pública para o próximo ano.
O documento estabelece as metas de financiamento do governo federal e indica ajustes na estratégia de emissão de títulos, mantendo a linha adotada em 2025.

Mais títulos atrelados à Selic e menos prefixados
Assim como no ano anterior, o governo abriu espaço para reduzir a participação de títulos prefixados — aqueles com juros definidos no momento da emissão — e ampliar a fatia dos papéis vinculados à taxa Selic, os juros básicos da economia.
A estratégia busca aumentar a atratividade dos títulos atrelados à Selic, que atualmente se encontra no maior nível em quase dois anos, facilitando a colocação dos papéis no mercado.
Inicialmente, o PAF previa que a DPF encerraria 2025 entre R$ 8,1 trilhões e R$ 8,5 trilhões, mas a estimativa foi revisada em setembro para a faixa entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões, patamar que acabou sendo superado.
Composição projetada da dívida em 2026
Segundo o Tesouro, a Dívida Pública Federal deverá fechar 2026 com a seguinte distribuição:
-
Títulos vinculados à Selic: entre 46% e 50% (atualmente em 48,3%);
-
Títulos corrigidos pela inflação: de 23% a 27% (hoje em 25,9%);
-
Títulos prefixados: entre 21% e 25% (atualmente em 22%);
-
Títulos atrelados ao câmbio: de 3% a 7% (hoje em 3,8%).
Os dados não consideram as operações do Banco Central no mercado futuro de câmbio, que podem alterar o resultado final.
Risco maior com juros altos
Os títulos corrigidos por taxas flutuantes, como a Selic, elevam o risco da dívida, já que qualquer aumento nos juros básicos pressiona imediatamente o endividamento do governo. Por outro lado, os títulos prefixados oferecem maior previsibilidade, pois o custo dos juros é conhecido desde a emissão.
No entanto, em períodos de instabilidade econômica, os prefixados costumam ter taxas mais elevadas, o que pode aumentar o custo total da dívida pública.
Prazo médio e colchão de segurança
O prazo médio da dívida, que fechou 2025 em quatro anos, deve variar entre 3,8 e 4,2 anos até dezembro de 2026. Já a parcela da dívida que vence em até 12 meses deve ficar entre 18% e 22%, acima dos atuais 17,5%.
O Tesouro também destacou mecanismos de segurança para enfrentar eventuais crises. As reservas internacionais são suficientes para cobrir os R$ 33,3 bilhões em vencimentos da dívida externa em 2026. Além disso, o governo conta com um colchão financeiro de R$ 1,187 trilhão, capaz de bancar cerca de 7,3 meses dos vencimentos da dívida interna.
Como funciona a dívida pública
Por meio da dívida pública, o Tesouro Nacional capta recursos junto aos investidores para financiar compromissos do governo. Em troca, se compromete a devolver o valor emprestado com correção, que pode seguir a Selic, a inflação, o câmbio ou uma taxa prefixada, definida previamente.
